Impacto do hipotireoidismo subclínico na expressão do IGF1R, nas concentrações séricas de IGF-1, IGF-2, IGFBP-3 e no crescimento nos primeiros meses de vida pós-natal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Martins, Claudia dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17144/tde-09052022-093801/
Resumo: O crescimento linear e um processo complexo e os hormônios tireoidianos desempenham um papel fundamental na sua promoção, agindo diretamente nos ossos e influenciando o GH e sistema IGF. Durante a infância, anormalidades funcionais da glândula tireoide podem afetar o crescimento e o desenvolvimento cerebral, com repercussões clínicas, dependendo da idade e da gravidade. Por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal para o hipotireoidismo congênito, alguns recém-nascidos podem ser diagnosticados com o hipotireoidismo subclinico. Essa condição bioquímica, definida por níveis séricos elevados do TSH em oposição às concentrações normais dos hormonios tireoidianos, pode estar associada a anormalidades neurológicas e metabólicas nas crianças, sendo por isso ainda um ponto de questionamento. O presente estudo objetiva avaliar se o hipotireoidismo subclínico em lactentes pode afetar a expressão gênica do IGF1R, as concentrações do IGF-1, IGF-2, IGFBP-3 e, consequentemente, o crescimento. Para esta análise foram realizados dois estudos, um transversal descritivo e retrospectivo e um observacional longitudinal prospectivo no Ambulatório Multidisciplinar de Triagem Neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (AMTN-HCFMRP-USP). No estudo transversal, foram estudadas 122 crianças com exames confirmatórios sugestivos de hipotireoidismo subclínico. No estudo longitudinal, foram avaliados 68 neonatos com os exames de triagem neonatal para investigação do hipotireoidismo congênito alterados, entre outubro de 2018 e fevereiro de 2020. Em ambos os estudos, foram analisados os dados antropométricos, as dosagens hormonais tireoidianas e as suas correlações. No estudo longitudinal ainda foram avaliadas as concentrações de IGF-1, IGF-2, IGFBP-3 e a expressão gênica do IGF1R dos neonatos com hipotireoidismo subclínico (grupo HSC) e comparadas com os resultados obtidos dos portadores de hipotireoidismo congênito (grupo HC) e dos pacientes com exames de triagem neonatal para investigação do hipotireoidismo congênito alterados, mas com dosagens hormonais tireoidianas confirmatórias dentro dos limites da normalidade (grupo Normal). Os dados obtidos neste estudo demonstraram que os valores da quantificação relativa da expressão do gene IGF1R não evidenciaram correlações significativas com as dosagens hormonais tireoidianas nem com as concentrações do IGF-1 e da IGFBP-3. Por outro lado, as dosagens do IGF-1, IGFBP-3 e T4 total demonstraram correlações positivas significativas com o peso e o comprimento do nascimento dos pacientes em geral e dos prematuros. Além disso, de forma pioneira, foi constatado que a quantificação relativa da expressão do gene IGF1R e os níveis do IGF-1 e da IGFBP-3 não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos Normal, HSC e HC. Semelhantemente, as dosagens do IGF-2 também não evidenciaram diferenças significativas entre os grupos Normal e HSC. Esses resultados observados foram consistentes com o ganho ponderal e crescimento adequados dos lactentes com hipotireoidismo subclínico nos dois estudos, independentemente da prematuridade e da adequação do peso ao nascer. As consequências deletérias do hipotireoidismo subclínico na saúde das crianças, especialmente dos lactentes, são controversas. Embora possa não acarretar prejuízo no crescimento, o hipotireoidismo subclínico deve ser monitorado e melhor investigado na faixa etária pediátrica.