Ilusão, resignação e resistência: marcas da inclusão marginal de estudantes das classes subalternas na rede de ensino superior privada

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Kalmus, Jaqueline
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-27072010-091743/
Resumo: A presente pesquisa parte da constatação de que a atual política educacional, em consonância com interesses advindos do modelo político e econômico vigente no país, promove, cada vez mais, a passagem dos alunos pelos sucessivos graus escolares sem garantir uma formação sólida. Isso resulta em uma nova forma de fracasso escolar, um fracasso relativo, mais sutil, em que uma parcela dos estudantes oriundos de categorias sociais até então prematuramente excluídas da educação formal atinge graus mais elevados de escolarização. Com a participação do Estado e a partir de um discurso que recomenda a qualificação para o mercado de trabalho, também no ensino superior há um grande incentivo para a absorção de um maior contingente de estudantes pobres, que passam a frequentar, sobretudo, instituições de ensino da rede superior privada, muitas imbuídas de uma concepção mercantil de educação. A pesquisa procurou investigar, a partir da narrativa de três estudantes das classes subalternas de uma instituição de ensino superior privada da região metropolitana de São Paulo, os sentidos que eles atribuem à sua experiência nessa modalidade de ensino, os sonhos que são construídos ou impedidos, as formas de consciência, submissão, resignação e resistência que são encontradas. Os estudantes têm consciência de sua condição de integração apenas parcial no universo universitário. Enfrentam a descoberta de que o ensino básico não lhes proporcionou as condições necessárias para frequentar os cursos de sua faculdade e questionam o valor simbólico do diploma a que terão acesso. A ameaça de interrupção dos estudos é constante. Em geral eles são os primeiros de seu grupo social a ingressar numa universidade e não usufruem da educação a que tem acesso como bem privado: trazem consigo as histórias de seus companheiros de classe social e o desejo de compartilhar com eles o conhecimento. Embora não descartem o valor econômico da educação, esperam mais do ensino superior do que a ideologia do mérito e da empregabilidade oferece: buscam a compreensão do enigma da desigualdade de classes e as estratégias para o enfrentamento da humilhação, experiência marcante da condição de subalternidade