Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2022 |
Autor(a) principal: |
Rabahie, Júlia de Macedo |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-06032023-124629/
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Resumo: |
Esta dissertação tem como objetivo analisar experiências de parto, bem como discursos e representações sobre ele, na cidade de São Paulo na virada do século, entre 1894 e 1925. Para isso, partiu-se do estudo sobre a fundação da Maternidade de São Paulo - primeira instituição do tipo criada no estado, em 1894 -, seu funcionamento, e os sujeitos que a compuseram - as parturientes pobres, as parteiras, os médicos e as mulheres abastadas que administraram a instituição - para analisar diferentes vivências e representações sobre o parto e a maternidade. São estudadas algumas experiências vividas pelas mulheres parturientes e parteiras na instituição envolvendo o momento de dar à luz. Para além da Maternidade, são analisados o discurso médico e a preocupação estatal com o parto e a saúde reprodutiva da mulher; e também representações femininas e feministas sobre a maternidade e o parto. A Maternidade de São Paulo foi uma instituição chave para que os primeiros passos em direção ao parto medicalizado fossem dados. As parturientes ali recolhidas assim o foram por serem mulheres e pobres. As parteiras, que aos poucos iam perdendo espaço e legitimidade na arte da parturiação, continuaram, entretanto, a exercer suas práticas e a atuar de maneira central nos cenários do parto, dentro e fora da Maternidade. Por sua vez, os discursos médicos sobre o parto eram constituídos por meio de uma relação dialética: ao mesmo tempo em que se inscreviam em contextos mais amplos de sociedade recém saída do escravismo e de ciência racialista, também promoviam essa realidade desigual e racista concreta. Além deles, as mulheres de letras das classes dirigentes, além de atuarem à frente da Maternidade de São Paulo, produziram discursos e representações próprias sobre o parto ideal, e como deveria se dar o cuidado com os filhos. A Mãe paulista se constituía como ideal de sujeito no espaço público, assim, pela distinção em relação a outros sujeitos femininos, empobrecidos e despossuídos. |