Conservação de primatas do gênero Callithrix (Erxleben, 1777): impacto das mudanças climáticas e das arboviroses

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Vale, Caroline Almeida do lattes
Orientador(a): Prezoto, Fábio lattes
Banca de defesa: Sant'Anna, Aline Cristina lattes, Barbosa, Bruno Corrêa lattes, Kosmann, Cecília lattes, Costa, Maria Clara Nascimento lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Ecologia
Departamento: ICB – Instituto de Ciências Biológicas
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/11953
Resumo: Primatas estão entre os animais que mais serão afetados pelas mudanças climáticas. Os macacos do gênero Callithrix, ocorrem em três biomas brasileiros, algumas espécies possuem ocorrência restrita e dependência de um conjunto de variáveis climático/ambientais que só existem em áreas especificas. Este estudo teve como objetivo principal discutir a conservação dos primatas do gênero Callithrix, e o impacto das mudanças e das arboviroses. A tese está formatada em dois capítulos, que possuem como intuito ampliar e auxiliar a discussão dessa temática. O primeiro capítulo teve como objetivo utilizar a modelagem de distribuição potencial para identificar como as mudanças climáticas afetarão as áreas de ocupação dessas espécies no futuro, e identificar áreas onde existem necessidade de criação de unidades de conservação. As espécies que apresentaram maior perda de áreas de adequabilidade foram C. flaviceps e C. kuhlii, seguidos por C. aurita, C. geoffroyi C. jacchus. Os valores da AUC foram entre 0,951 e 0,997, com média de 0,974. No cenário futuro, irão ocorrer mudanças na faixa e nos padrões de distribuição das espécies do gênero Callithrix, sendo que C. flaviceps e C. kuhlii serão as mais afetadas. A espécie C. penicillata foi a que menos sofreu com a perda de áreas de adequabilidade, apesar de ser ligeiramente mais descolocada no futuro em direção à Floresta Atlântica. As áreas de preservação ainda, são poucas e, provavelmente, não serão suficientes para manter as populações dessas espécies a longo prazo. O capítulo dois, teve como objetivo abordar as arboviroses e as mudanças climáticas através de um estudo de caso do surto de febre amarela que ocorreu em Juiz de Fora, MG, entre 2017 e 2018. Nele descrevemos as epizootias relatadas ao Sistema de Vigilância de Epizootias em PNH (Primatas não humanos) em Minas Gerais e Juiz de Fora, entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018, e trazemos dados atualizados sobre os números de casos humanos da febre amarela, mortalidade de primatas e cobertura vacinal do município de Juiz de Fora e em Minas Gerais. Juiz de Fora viveu o maior surto, que se tem registro, para febre amarela entre 2017/2018, e teve o maior número de casos humanos em todo o estado. O sistema de vigilância em PNH, permitiu uma rápida resposta do sistema de saúde em Juiz de Fora, evitando mais mortes humanas e diminuindo a expansão da doença. Não se sabe ainda as consequências para as populações de PNH (primatas não humanos) atingidas por essa epidemia de febre amarela. Porém, sabe-se que nos próximos anos se as mudanças climáticas previstas se concretizarem, o risco de reurbanização da febre amarela pode ser ainda maior, por isso ações que visem o combate do vetor Aedes aegypti devem ser contínuas.