Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2021 |
Autor(a) principal: |
Benites, Eliel
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Orientador(a): |
Goettert, Jones Dari
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Banca de defesa: |
Mota, Juliana Grasiéli Bueno
,
Colman, Rosa Sebastiana
,
Ioris, Antônio Augusto Rossotto
,
Crespe, Aline Castilho |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Grande Dourados
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de pós-graduação em Geografia
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Departamento: |
Faculdade de Ciências Humanas
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/4591
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Resumo: |
Esta tese objetivou compreender o processo da busca do teko araguyje (modo de ser maduro, preparado e perfeito através do tempo), levando em consideração a existência dos Guarani e Kaiowá dentro e fora da reserva Te’yikue (município de Caarapó – Mato Grosso do Sul). A análise partiu de relatos de trajetórias de vida de cada jekoha (sustentadores da memória, os mais antigos) para edificar a estrutura e organização da tese. Apontamos como hipótese que a mobilidade atual é uma parcela visível da grande caminhada dos Guarani e Kaiowá na busca do aperfeiçoamento sucessivo para a plenitude do ser, o teko araguyje. Por isso, buscamos entender as razões e as forças propulsoras da mobilidade através da descrição analítica da realidade da Te’yikue, verificando os esforços de muitas famílias em constituir o “tekoharã”. Esse esforço foi construído pela ótica dos conceitos tradicionais dialogando com os saberes dos campos da geografia e da antropologia, sobretudo em aproximação aos conceitos de espaçotempo, lugar e movimento. Estudar esse movimento permitiu entender a mobilidade dos guardiões (divindades), para então entender a própria mobilidade dos humanos, como o seu reflexo. Os vestígios deixados nas trajetórias dessa busca do teko araguyje são entendidos como objetos/coisas que também compões o lugar/o tekoha, orientando a própria metodologia, enquanto a análise dos “meios técnicos” possibilitou a recomposição desses lugares através do reavivamento das trajetórias da vida dos viajantes. Assim, pudemos nos despir do olhar dos não indígenas para entender a lógica da existência do nosso povo Guarani e kaiowá, construindo uma análise a partri dos conceitos tradicionais e dos grandes sistemas Guarani e Kaiowá modeladores dos lugares – o que não excluiu, no entanto, a análise relacional com o mundo não indígena como condição importante para a caracterização e reconstrução dos tekoha em áreas de retomada. Concluímos que a insistência da busca do teko araguyje é parte da lógica de acessar, cada vez mais, a riqueza da “ideia da humanidade” guardada pelos guardiões de maior potência. A vida sagrada vivenciada pelos ñanderu e ñandesy no mundo terreno, mesmo que seja grandiosa na ótica dos guardiões, ainda é introdutória. Por isso, a tese aponta que a fonte do teko araguyje é a “ideia verdadeira da humanidade”, sustentada pela morada de ñanderuvusu e dos grandes guardiões, podendo ser acessada através da construção da “aldeia sagrada”, o tekoha araguyje, como condição para superar toda crise imposta pela sociedade não indígena. |