Características de cães e gatos vítimas de trauma admitidos em hospital escola veterinário da região nordeste do Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Nascimento, Débora Cavalcante lattes
Orientador(a): Barbosa, Vivian Fernanda
Banca de defesa: Barbosa, Vivian Fernanda, Solcà, Manuela da Silva, Nunes, Talyta Lins
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal nos Trópicos (PPGCAT)
Departamento: Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41337
Resumo: O trauma representa uma das principais causas de morbimortalidade em cães e gatos e constitui desafio emergencial na prática médica veterinária. Objetivou-se avaliar prováveis fatores de risco para a não sobrevivência pós-trauma em cães e gatos, assim como analisar a utilidade de variáveis de admissão hospitalar como o sistema de pontuação “Triagem de Traumatismo Animal” (TTA) e a “Escala de Coma de Glasgow Modificada” (ECGM) para predição de prognóstico. Para tal, realizou-se estudo transversal avaliando cães e gatos vítimas de trauma atendidos na rotina de admissão de um Hospital Veterinário Universitário da Bahia no período de 12 meses. A predição de sobrevivência foi calculada por meio de análise de curva ROC. Durante os 12 meses foram atendidos 301 animais com trauma, 70% (212/301) eram cães e 30% (89/301) gatos. A taxa de mortalidade dos animais admitidos por trauma foi de 14%. Os resultados da dissertação foram apresentados em dois capítulos, delineados conforme a espécie avaliada. Para ambas as espécies, o trauma contuso, devido à queda, foi o mais prevalente, destacando-se o acometimento de machos, jovens, não castrados e sem raça definida. Os fatores de risco avaliados no momento da admissão hospitalar estatisticamente associados à não sobrevivência em gatos foram atropelamento (RP 4,43; IC95% 1,8-10,4) e trauma torácico (RP 3,8; IC95% 1,7-8,6). Os gatos que não sobreviveram apresentaram na sua maioria hipotermia (Md 36°C; IIQ 34±37,2; P=0.0002). Para cães, os fatores de risco associados a não sobrevivência foram traumas crânio encefálico (RP 2,9; IC95% 1,2-6,6), trauma torácico (RP 4,24; IC95% 2,03-8,83); afecções pré existentes (RP 2,37; IC95% 1,16-4,83), idade avançada (RP 3,04; IC95% 1,3-11) e mucosas hipocoradas (RP 3,2; IC95% 1,62-6,5). Adicionalmente os cães que vieram a óbito apresentaram na sua maioria hipotermia (Md 37,2; IIQ 36,1±38,5; P=0.0015) e frequência respiratória alta (Md 44; IIQ 24±60; P=0.0230). A temperatura corpórea ≤ 37,1°C (AUC=0,80) em gatos foi preditivo de não sobrevivência, juntamente com os sistemas de pontuação TTA (Gato [AUC=0,73]; Cão [AUC=0,87]) e ECGM (Gato [AUC=0,66]; Cão [AUC=0,68]) nas duas espécies. Os resultados desse estudo apontam a aplicabilidade das escalas prognósticas, bem como identificaram quais características no momento da admissão do animal são fatores de riscos para não sobrevivência. Esses achados poderão nortear abordagens emergenciais futuras de cães e gatos vítimas de trauma visando melhorar seu prognóstico.