Análise comparativa das tendências de morbimortalidade entre duas coortes multicêntricas brasileiras de pacientes cirúrgicos de alto risco no período de 10 anos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Gomes, Brenno Cardoso
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5178/tde-19072022-170900/
Resumo: Introdução: O paciente cirúrgico de alto risco é identificado por apresentar alta morbimortalidade. Cerca de 10% dos pacientes apresentam alto risco de complicações após intervenções cirúrgicas e são responsáveis por 80% das mortes pós-operatórias. No Brasil, em um intervalo de 10 anos, houve redução da mortalidade cirúrgica de pacientes de alto risco de 20% para 9.6%, e complicações de 38.3% para 29.9%. Objetivos: Comparar as tendências do prognóstico de pacientes cirúrgicos de alto risco admitidos em UTIs brasileiras, por meio da análise de dois grandes estudos multicêntricos brasileiros separados por um intervalo de 10 anos. Método: Análise do tipo antes e depois, de duas coortes multicêntricas prospectivas no intervalo de 10 anos, sobre a epidemiologia de pacientes cirúrgicos de alto risco no Brasil. Incluídos pacientes adultos submetidos à cirurgias eletivas ou de emergências e internados em UTI após a operação. Resultados: Após a combinação pelo escore de propensão, 704 pacientes foram analisados (352 pacientes em cada período, 2008 e 2018). Na amostra total, as taxas totais de mortalidade hospitalar de 13.7% e, na UTI, 9.1%, com medianas de dias na UTI e hospitalar, respectivamente, de 2 (1-4) dias e 9.7 (4.82-19.42) dias. A coorte de 2008 em comparação a 2018 foi associada a mais complicações pós-operatórias (P<0.01), principalmente infecção e complicações cardiovasculares, mortalidade na UTI (P<0.01) e hospitalar (P<0.01), maior tempo de internamento na UTI, e menor sobrevida durante a internação na UTI; HR= 2.39 (IC95%: 1.36 4.20) e hospitalar; HR= 1.64 (IC95%: 1.03 2.62). Em adição, verificando fatores fortemente associados com mortalidade hospitalar, realizando modelo de regressão logística com toda a coorte ajustada pelo escore de propensão das variáveis significativas na comparação dos dois períodos de 2018 e 2008, foi notado que a probabilidade de risco para morte se correlaciona com: balanço hídrico intraoperatório elevado OR = 1.03 (IC95% 1.01-1.06), aumento de creatinina OR= 1.31 (IC95%1.1-1.56), receber transfusão de sangue no intraoperatório OR= 2.32 (IC95% 1.35-4.0) e, para cada aumento de 1 mmHg de pressão arterial média, o risco diminui OR = 0.97 (IC95% 0.95-0.98). Conclusão: Nesta representativa amostra de UTIs do Brasil, pacientes cirúrgicos de alto risco apresentam ainda elevada taxa de complicações, porém, com menores taxas destes problemas e de mortalidade em um período prospectivo de 10 anos. Ocorreram mudanças significativas no manuseio destes pacientes ao longo do tempo, sobretudo no controle do balanço hídrico, transfusão de sangue e manuseio hemodinâmico