A conversão dos conhecimentos biológicos em saber escolar na práxis docente: um estudo a partir do relato de professores de ciências

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Souza, Bruno Novais de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/243524
Resumo: Este estudo se debruça sobre a problemática do saber escolar. Para isso, aborda o ensino de Biologia nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Tendo como ponto de partida empírico nossa experiência docente, que proporcionou o confronto com as condições objetivas do ensino na escola pública brasileira, e como ponto de partida teórico o sistema conceitual da pedagogia histórico-crítica, adotamos como objeto de estudo a conversão dos conhecimentos biológicos em saber escolar ao longo da práxis docente, buscando responder à seguinte pergunta: até que ponto podemos afirmar que o processo de conversão da Biologia em saber escolar ocorre para além do currículo e do livro didático, envolvendo mediações realizadas pelo professor em função das condições concretas de produção da aula? Ao considerar a presença hegemônica de pedagogias de viés neoliberal nas políticas e normatizações educacionais, tal questão desdobra-se nesta indagação: quais as principais determinações que incidem na conversão dos conhecimentos da Biologia em saber escolar na práxis docente, considerando que os professores de ciências que orientam sua atividade de ensino pela pedagogia histórico-crítica se deparam com o conhecimento científico expresso em saber escolar, a partir de intencionalidades, muitas vezes, opostas às suas? Pensando no desafio de tornar o conhecimento da Biologia assimilável pelo sujeito-destinatário concreto, esta investigação assume a seguinte hipótese: na ausência de um currículo para o ensino de Ciências que explicite, organize e sequencie adequadamente as relações conceituais fundamentais da Biologia, o professor que adota a pedagogia histórico-crítica se vê diante da necessidade de realizar processos originais de conversão do conhecimento científico em saber escolar no curso da aula, a fim de suplantar aquilo que se apresenta como saber escolar hegemônico. Para confrontar essa hipótese com a materialidade educativa, adotamos como procedimentos metodológicos as entrevistas semiestruradas, realizadas com sete professores de Ciências que têm a pedagogia histórico-crítica como orientadora de sua prática e atuaram nos Anos Finais do Ensino Fundamental nos últimos 10 anos. Diante disso, assumimos como objetivo investigar as principais determinações que condicionam o processo de conversão dos conhecimentos da Biologia em saber escolar no interior das condições concretas da escola pública brasileira. Identificamos em nossa análise determinações substanciais à atividade de ensino: i) a normatização escolar como ataque à autonomia docente; ii) a disciplinarização da Biologia e a perda de sua dimensão ontológica; iii) os critérios para saber escolar disponível; iv) as relações sociais como determinação do saber escolar. Concluímos que a identificação de “o que” deve ser ensinado exige intensa investigação do campo biológico, o que não corresponde ao tempo disponível dos professores que passam a realizar conversões não contempladas pelo currículo e pelo material didático, como a abordagem evolutiva para os conteúdos, sendo esse um possível caminho de superação da cisão entre Biologia Funcional e Evolutiva. Por haver correlação entre o campo curricular e o didático, especialmente na práxis docente, desponta a didática concreta como aquela que garantirá a devida unidade entre os conhecimentos biológicos e o método pedagógico, de forma que a aula, ao sintetizar a totalidade educativa, o que inclui as relações sociais, exige novos processos de conversão do saber.