Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2025 |
Autor(a) principal: |
Arantes, Paulo Vitor Cadina [UNESP] |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://hdl.handle.net/11449/295408
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Resumo: |
O gênero Bartonella spp. engloba alfa-proteobactérias Gram-negativas intracelulares facultativas e fastidiosas que infectam eritrócitos e células endoteliais de diversos hospedeiros mamíferos, incluindo os seres humanos, podendo causar uma variedade de infecções agudas e crônicas. Tais microrganismos são agentes patogênicos tipicamente transmitidos por vetores, com a transmissão diretamente associada a diversos artrópodes hematófagos, como moscas, piolhos e pulgas. Os maruins (Diptera: Ceratopogonidae) do gênero Culicoides Latreille apresentam distribuição global, com 1.347 espécies descritas, sendo 151 no Brasil e 123 na Amazônia Brasileira. Diversas espécies de Culicoides são reconhecidas como vetores biológicos de agentes patogênicos que afetam mamíferos, aves e seres humanos. Flebotomíneos (Diptera: Psychodidae) apresentam relevância significativa na saúde pública, pois atuam como vetores de diversos agentes, incluindo vírus, bactérias e protozoários. O presente estudo teve como objetivo investigar a ocorrência molecular de Bartonella spp. em flebotomíneos e maruins coletados no Parque Nacional da Amazônia, no estado do Pará, Brasil. Para isso, foram analisados 297 espécimes de flebotomíneos, abrangendo 8 gêneros e 25 espécies, e 345 espécimes de Culicoides spp., representando 3 gêneros. DNA foi extraído individualmente de cada espécime utilizando TRIzol, e 85,2% (253/297) dos flebotomíneos e 86,7% (299/345) dos maruins foram positivos nos ensaios de PCR baseados no gene endógeno de invertebrados cox-1. Desses, 12,6% (32/253) dos flebotomíneos e 24% (72/299) dos maruins apresentaram resultados positivos nos ensaios de PCR quantitativo em tempo real, baseado na região intergênica 16S-23S rRNA (ITS) de Bartonella spp. Entre os espécimes positivos, destacam-se os seguintes resultados: 37/88 (42%) Culicoides foxi, 29/192 (15,1%) Culicoides hylas, 6/19 (31,5%) Culicoides leopoldoi, 7/32 (21,87%) Psychodopygus srie chagasi, 5/32 (15,62%) Psychodopygus série guyanensis, 3/32 (9,3%) Psychodopygus carrerai carrerai, 4/32 (12,5%) Psychodopygus ayrozai, 2/32 (6,25%) Psychodopygus paraensis, 2/32 (6,25%) Psychodopygus davisi, 1/32 (3,12%) Psychodopygus bispinosus, 1/32 (3,12%) Psychodopygus llanosmartinsi, 1/32 (3,12%) Psychodopygus amazonensis, 2/32 (6,25%) Nyssomyia richardwardi, 1/32 (3,12%) Nyssomyia shawi, 1/32 (3,12%) Nyssomyia anduzei e 1/32 (3,12%) Trichophoromyia sp. Ensaios adicionais de PCR convencional, baseados em 7 marcadores moleculares (gltA, nuoG, rpoB, ribC, groEL, ftsZ e pap31), foram realizados para a caracterização molecular. Os amplicons foram purificados por ExoSap™ e enviados para sequenciamento pelo método de Sanger. Culicoides foxi foi estatisticamente mais associado à positividade para Bartonella quando comparado com C. hylas e C. leopoldoi. Os espécimes de Culicoides coletados ao nível do solo foram mais associados à positividade para Bartonella spp. quando comparados com os coletados ao nível da copa das árvores. A análise filogenética baseada no gene gltA agrupou quatro sequências de Bartonella sp. obtidas (duas de C. foxi e duas de C. hylas) no mesmo sub-clado, agrupando-se com espécies associadas a ruminantes (B. bovis, B. capreoli, B. chomelii, B. melophagi e B. schoenbuchensis). Uma sequência do gene ribC de Bartonella sp. detectada em C. foxi foi posicionada no mesmo sub-clado de espécies associadas a gatos (B. koehlerae e B. henselae). As duas sequências do gene gltA de Bartonella spp. detectadas em Psychodopygus ilanosmartinsi e Psychodopygus serie chagasi foram posicionadas no mesmo clado de B. ancashensis, B. bacilliformis e linhagens ancestrais de Bartonella spp. previamente detectadas em flebotomíneos provenientes do México e do Brasil. Este estudo fornece a primeira evidência molecular de Bartonella spp. em Culicoides spp. no Brasil, bem como a primeira detecção molecular de Bartonella spp. em 10 espécies diferentes de flebotomíneos no país. |