Práticas espaciais da cultura periférica de jovens mulheres negras na constituição de periferias vivíveis

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Marques, Ana Carolina dos Santos [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/258923
Resumo: No anseio de viver da arte e traçar outras trajetórias de vida espacializada, jovens mulheres negras se encontram na cultura periférica, produzindo narrativas sobre si e contribuindo na reconfiguração das periferias, enquanto espaços vivíveis. Elas instituem práticas espaciais e desencadeiam outras, a partir da organização de coletivas para onde confluem fluxos de jovens de diferentes áreas das cidades, que rompem com barreiras socioespaciais em busca da sociabilidade e da expressão. Nesse movimento, esta tese objetiva compreender as relações entre práticas espaciais de coletivas de jovens mulheres negras da cultura periférica e as lógicas de produção das cidades e como essa cultura contribui para a instituição de suas espacialidades e identidades. Trata-se de um estudo urbano comparado entre a metrópole de São Paulo (SP) e as cidades médias de Londrina (PR) e de Presidente Prudente (SP), que se desdobrou em duas frentes: primeiro, a interpretação das práticas espaciais de deslocamentos pela cidade e de apropriação dos espaços públicos realizadas por jovens que participam de quatro coletivas culturais: a Batalha Dominação, o Sarau do Capão, a Batalha da Máfia e o Slam Quilombo de Dandara; e segundo, a tessitura de uma trama que relaciona a estrutura socioespacial e temporal com as trajetórias interseccionais de vida espacializada de oito jovens mulheres negras que organizam as coletivas culturais, no esforço de pensar o conceito de contexto geográfico. A pesquisa é etnográfica e colaborativa, em que foram realizadas entrevistas, aplicação de questionários, elaboração de mapas e proposição de uma representação cartográfica. Defendemos que a tese se estrutura sobre alguns pontos principais: interseccionalidades e espaço geográfico formam um movimento indissociável, em que a cultura periférica é responsável por positivar as identidades de jovens mulheres negras; as práticas espaciais da cultura periférica são insurgentes e ao mesmo tempo que reforçam as lógicas socioespaciais de produção das cidades, também as contrariam, como na emergência de um movimento periferia-periferia; e a cultura periférica constitui uma identidade periférica transescalar, que extrapola a delimitação espacial de uma única periferia na cidade e conecta diferentes periferias.