A Escola no campo: ouvindo crianças e adolescentes da zona rural do Município de Viçosa, MG

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Cruz, Elenciria Oliveira da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
BR
Economia familiar; Estudo da família; Teoria econômica e Educação do consumidor
Mestrado em Economia Doméstica
UFV
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://locus.ufv.br/handle/123456789/3384
Resumo: Os estudos na área da educação vêm crescendo significativamente, no entanto, a educação no campo ainda não é pesquisada com tamanha frequência, como são outros temas educacionais. Considera-se que na construção de conhecimentos sobre esse tema, educação no campo , é indispensável ouvir os sujeitos que fazem uso diretamente dessa política pública. Por isso, neste trabalho procurou-se dar voz às crianças e adolescentes, residentes na zona rural, como representantes das instituições família e escola, para falarem sobre a escola que estudam. Defendemos a ideia das crianças e adolescentes como cidadãos de direito, inclusive de serem ouvidos e pesquisados. Nesse sentido, buscamos investigar: quais representações fazem as crianças e adolescentes sobre a escola do campo em que são atendidos? As hipóteses que nortearam este estudo foram que as ações e experiências desempenhadas e vividas pelos sujeitos podem interferir no modo como eles explicam ou falam sobre suas vivências na escola do campo. Suas percepções mostrariam as perspectivas de seus olhares sobre a realidade da escola do campo e, consequentemente, seria possível ter-se uma avaliação da situação atual dessas escolas. Nesse contexto, o objetivo da pesquisa foi analisar as representações que crianças e adolescentes da zona rural possuem sobre a escola do campo que frequentam. O método utilizado para coleta e análise de dados foi o método clínico piagetiano, cuja entrevista é composta de perguntas básicas e complementares. A amostra foi composta por 32 sujeitos, sendo 8 em situação de repetência escolar e 24 não repetentes, ou seja, que frequentavam a série esperada para sua idade; formando assim dois grupos de sujeitos, os repetentes e os não repetentes. Fazendo então parte da amostra, sujeitos de 5 a 13 anos de idade, matriculados do Pré-escolar ao 5o ano. A análise qualitativa dos dados das entrevistas evidenciou como as crianças e os adolescentes possuem uma forma própria de construir e demonstrar as ideias sobre vários assuntos, dentre eles, sobre a escola que frequentam. As crianças e os adolescentes baseiam suas ideias, principalmente, sobre o que tem na escola e sobre as relações que estabelecem nesse ambiente. Portanto, suas explicações estão baseadas no que lhes é perceptível e observável. Percebeu-se que, por mais que o pensamento das crianças e dos adolescentes apresentem suas limitações estruturais, próprias do estágio de desenvolvimento, eles possuem capacidade de falar sobre a escola em que estudam. Eles retrataram a escola assim como ela é em seus aspectos físico e humano, de acordo com as atividades diversas e a rotina desenvolvida e com os sentimentos que atribuem a este lugar. Por outro lado, independente de serem repetentes ou não repetentes, falam da escola que desejam, onde possam brincar nos momentos de recreação, e que tenham o privilégio de aprender brincando, para que as dificuldades com os conteúdos sejam amenizadas. O fracasso escolar é visto como falta do empenho pessoal. Nesse sentido, desejam uma escola onde a professora seja afetuosa e passe a vê-los como sujeitos ativos no processo de desenvolvimento e construção do conhecimento, para que juntos possam superar a repetência escolar. Assim, pelos resultados apresentados, as hipóteses da pesquisa foram confirmadas. Reconhece-se que essa pesquisa é apenas um recorte da realidade, fazendo-se necessário a realização de mais estudos, abrangendo mais escolas, abrangendo crianças e adolescentes com características semelhantes dos aqui pesquisados. Conclui-se que as crianças e adolescentes desejam uma escola possível, de qualidade; e estão dispostos a participar ativamente da idealização dessa escola, que não só informa conteúdos, mas prioriza a criatividade e a invenção que existe em cada sujeito e que se faz necessário para construção de cidadãos cada vez mais conscientes do mundo em que vivem e que irão construir.