Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2002 |
Autor(a) principal: |
Seixas, Claudine Dinali Santos |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Viçosa
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/10104
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Resumo: |
Miconia calvescens é uma planta da família Melastomataceae nativa das Américas do Sul e Central que se tornou uma invasora agressiva no Taiti e Havaí. Objetivou-se determinar a patobiota associada a Miconia calvescens e gerar informações úteis para a avaliação, seleção e manipulação de potenciais agentes de controle biológico desta planta invasora. No levantamento realizado nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil, e em algumas regiões da Costa Rica e do Equador, foram encontradas 11 espécies fúngicas, sendo que duas ainda não descritas: Guignardia miconiae (causando mancha de piche) e Korunomyces prostratum (causando queima foliar). Além destas foram identificados: Coccodiella miconiae (agente da acne negra), Glomerella cingulata, Corticium sp., Melanconium sp., Myrothecium sp., Pestalotiopsis sp., Phomopsis sp., Phyllachora sp., Pseudocercospora tamonae e Pythium sp. Um nematóide (Ditylenchus drepanocercus – causador da mancha angular) e um fitoplasma (causador de envassouramento) foram também encontrados e estudados. Entre os fungos com maior potencial para biocontrole, destaca-se Coccodiella miconiae, que foi estudado para elucidação de aspectos relacionados com a sua biologia e determinação da influência de fatores meteorológicos sobre a intensidade da doença no campo. Testaram-se diferentes métodos de inoculação artificial; estudaram-se a ejeção e a germinação de ascósporos sob diferentes temperaturas; métodos de preservação de folhas infectadas e controle químico do micoparasita Sagenomella sp. Em Dionísio-MG e em Viçosa-MG, ramos e folhas de M. calvescens foram marcados para avaliar a incidência e severidade da doença sob influência dos fatores meteorológicos. Também foram registradas as incidências do anamorfo (Hemidothis sp.) e de micoparasitas sobre estromas de C. miconiae. Dentre os métodos de inoculação testados nenhum resultou em sintomas de acne negra em plantas de M. calvescens. A liberação de ascósporos ocorreu entre 5 a 35 o C, mas foi maior a 25 a 35 o C, e a germinação foi fa vorecida por temperaturas de 20 a 22 o C, luz e água livre. A germinação de ascósporos aumentou quando os estromas foram pré-acondicionados a 5 o C por 2 dias. Material infectado mantido a 10 o C por no máximo 6 dias ainda se manteve viável e com bom nível de germinação de ascósporos. A doença ocorreu o ano todo nas duas localidades avaliadas. Em Viçosa-MG, a incidência não se correlacionou com nenhuma das variáveis climáticas estimadas (temperatura, umidade relativa e precipitação) e a severidade se correlaciono u negativamente com a temperatura. Em Dionísio-MG, a incidência correlacionou-se negativamente com a temperatura. Tanto o anamorfo quanto os hiperparasitas ocorreram durante todo o período avaliado, mas a incidência de ambos não se correlacionou com nenhuma das variáveis climáticas. O cloro foi o produto mais eficiente para o controle do hiperparasita Sagenomella sp., mas foi deletério a Coccodiella miconiae também. Além de Sagenomella alba var.nov. synematosa foram observados, no campo, os seguintes micoparasitas: Sagenomella dimorphica sp.nov.; Cladosporium oxysporum; Corynespora cassiicola; Redbia annulata sp.nov. e Paranectriella juruana. A mancha angular causada por um nematóide foi observada no Brasil, Costa Rica e Equador. O nematóide foi identificado como Ditylenchus drepanocercus. Indivíduos de ambos os sexos possuem um apêndice na extremidade da cauda em forma de foice. Os nematóides ficam alojados no parênquima lacunoso, cujas células aumentam de 7 a 13 vezes de tamanho. Dentre três métodos artificiais, atomização de suspensão contendo indivíduos de diferentes estádios de desenvolvimento sobre folhas feridas previamente destacou-se como o método mais eficiente para inoculação do nematóide. Plantas de M. calvescens apresentaram sintomas da mancha angular 20 dias após a inoculação. A doença ocorreu durante os 12 meses de avaliação em Viçosa-MG e Dionísio-MG. Em Viçosa, a incidência não se correlacionou com nenhuma das variáveis meteorológicas. Em Dionísio, a incidência correlacionou-se positivamente com a umidade relativa e com a temperatura. No teste de gama de hospedeiros, 107 espécies de plantas foram testadas. Além de M. calvescens, o nematóide foi detectado em M. prasina e M. phanerostila. A presença de um fitoplasma associado às plantas apresenta ndo sintomas de envassouramento foi confirmada por exame de diversas amostras em microscopia eletrônica de transmissão. Tanto Coccodiella miconiae, quanto Ditylenchus drepanocercus, mostraram bom potencial como agentes de biocontrole, mas alguns obstáculos, tais como, verificação da existência de especialização fisiológica nos dois patossistemas; método de preservação de inóculo e estudos mais completos sobre a especificidade do nematóide; método de inoculação e condições de incubação mais adequados para C. miconiae, ainda têm que ser superados antes de uma eventual introdução em ambiente exótico . |