Saúde mental dos enfermeiros durante a pandemia de Covid-19

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: GABRIEL, Eliane Fatima de Sousa lattes
Orientador(a): CASTRO, Sybelle de Souza lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Atenção à Saúde
Departamento: Instituto de Ciências da Saúde - ICS::Curso de Graduação em Enfermagem
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://bdtd.uftm.edu.br/handle/123456789/1979
Resumo: Atualmente, mesmo com a redução da incidência nos casos de COVID-19, continua o cenário de incerteza epidemiológica de aumento de casos devido a novas variantes da Covid-19. O aprofundamento nos estudos relacionados a esta temática é valoroso pela natureza dos serviços que os profissionais de enfermagem prestam, uma vez que a qualidade e eficácia do seu trabalho podem ter um impacto decisivo na saúde dos pacientes. Diante deste contexto o objetivo desta pesquisa foi analisar a saúde mental e a qualidade de vida dos enfermeiros que atuaram com casos suspeitos e confirmados de Covid-19 na rede de atenção à saúde pública na cidade de Uberaba/MG em 2021. Este estudo teve por embasamento a abordagem quantitativa do tipo transversal. Foram convidados a participar da pesquisa enfermeiros do município de Uberaba-MG, que atendiam no Sistema Único de Saúde (SUS) dos três níveis de atenção à saúde (atenção básica, unidades de pronto atendimento, e hospitais) que atuaram no cuidado de enfermagem durante a pandemia de Covid- 19. A amostra estimada foi de 55 enfermeiros. Para avaliação do perfil sociodemográfico foi aplicado o questionário elaborado pelos pesquisadores, dividido em três partes, buscando identificar os dados sociodemográficos e profissionais do participante, aspectos sobre educação permanente e aspectos sobre formação profissional quanto ao tema Covid-19. Para avaliação da Qualidade de Vida (QV) foi utilizado o WHOQOL-bref. O Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20), foi utilizado para avaliação de transtornos menatais comuns. A análise estatística foi realizada com o software SPSS (Statistical Package for Social Sciences) for Windows versão 25.0.Foram utilizadas estatisticas descritivas e inferenciais. Os instrumentos validados (WHOQOL-bref e SRQ-20), que compõe o estudo foram analisados de acordo com o preconizado em seus respectivos artigos de validação e sintaxe disponíveis. Para todos os procedimentos estatísticos inferenciais foi considerado nível de significância α de 5%. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, sob o número CAAE: 30901020.0.0000.5154 e número do parecer: 4.060.241. Participaram do estudo 72 enfermeiros, com predominância do sexo feminino, de 31 a 40 anos, a maioria não tinha companheiro e eram católicos. Houve predomínio de trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS), trabalhavam na instituição há mais de 5 anos, a maioria era CLT, seguidos de funcionário público municipal. Possuía renda mensal entre 3 a 5 salários mínimo (SM), com 10 ou mais anos de experiência profissional (61,0%). A maioria relatou ter tido treinamento sobre o COVID-19, ter disponibilidade suficiente de EPI para atuar durante a pandemia, e que houve intensificação das medidas de proteção individual. Uma parte considerável de enfermeiros já apresentavam sintomas que abalavam a saúde metal antes da pandemia, como ansiedade, e alguns já faziam tratamento principalmente medicamentoso. Para os profissionais que descobriram transtornos mentais relacionados a pandemia, 33,3% buscaram tratamento. Na avaliação do SQR-20 indicou-se um rastreio positivo para transtornos mentais comuns. Quanto a avaliação de qualidade de vida, destaca-se que o domínio meio ambiente avaliado pelo WHOQOL-bref, obteve a menor média de todos os domínios. Quanto a soma total nesta pesquisa os enfermeiros apresentaram uma média de 67,8 (±14,2), indicando uma percepção mediana de qualidade de vida. Para a confirmação das correlações, identificou-se que a presença de TMC permaneceu significativa, assim como o tempo de atuação com paciente com COVID-19, para o domínio de Meio Ambiente. Para o domínio das relações sociais foi significativo o resultado do SQR-20, assim como para o domínio psicológico. Para o domínio físico mostraram-se significativos tratamento de ansiedade relacionado a pandemia, tratamento de depressão relacionado a pandemia e o resultado do SQR-20. Evidenciou-se um impacto importante na saúde mental dos enfermeiros, que já é notadamente um ponto delicado uma vez que profissionais de saúde em geral, principalmente de enfermagem já se encontram vulneráveis a transtornos mentais comuns.