Análise das subpopulações linfocitárias no sedimento urinário de pacientes com nefrite lúpica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Mesquita Junior, Danilo [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
LES
Link de acesso: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=3603359
http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/48648
Resumo: Introdução: lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, que se caracteriza pelo envolvimento de diversos órgãos e sistemas. Alterações do sistema imunológico são frequentes no LES, com envolvimento de subpopulações linfocitárias efetoras e regulatórias. A nefrite lúpica (NL) tem impacto significativo na morbidade e mortalidade de pacientes com LES. Marcadores urinários são candidatos para uma avaliação acurada da NL, pois podem representar alteração local imediata do status renal. Objetivos: avaliar a frequência de subpopulações de linfócitos T (LT) CD4+ na urina e no sangue periférico de pacientes com NL e analisar associações com parâmetros clínicos e imunológicos. Métodos: a citometria de fluxo foi utilizada para avaliar a frequência de subpopulações de LT CD4+ na urina e em células mononucleares do sangue periférico (CMSP) de 17 pacientes com NL ativa e em 20 pacientes com nefrite controle (NC), enquanto em 10 controles sadios (CS) foram avaliadas apenas a frequência de subpopulações de LT CD4+ em CMSP. Subpopulações de LT CD4+ no CMSP foram reavaliadas em seis meses de terapia de indução para a NL. Os subtipos de LT em tecido renal foram detectados por imunohistoquímica. Resultados: pacientes com NL apresentam frequência diminuída de LT CD4+ no sangue periférico (SP) quando comparado a NC e CS (p = 0,0001), houve menor frequência de células T regulatórias no SP em relação à NC (p = 0,014). Porém, não houve diferença quanto às subpopulações de LT CD4+ na urina quando comparamos NL e NC. Aos seis meses de tratamento, os pacientes com NL mostraram elevação significativa na frequência de células Th17 no SP (p = 0,008). Formas não proliferativas de NL apresentam frequência aumentada de células Th17 da urina em relação às formas proliferativas (p = 0,041). A frequência de células que expressam Tbet, ROR-? e GATA3 no glomérulo de pacientes com NL é significativamente maior do que de células FOXP3+. Não houve associação entre expressão glomerular desses marcadores e parâmetros clínicos ou laboratoriais na NL. Todos os pacientes com NL apresentaram expressão de CD3 e Tbet no interstício renal, enquanto a expressão de FOXP3 e ROR-? só foi observada em 30% e 10% dos pacientes, respectivamente. Houve correlação negativa entre células Th1 no SP e células Th1 urinárias (Rho=-0,531; p = 0,028), entre células Th1 no SP e as células Tbet+ no interstício renal (Rho=-0,782; p = 0,004). Conclusões: células Th1 tem papel importante na patogênese da NL, migrando para o tecido renal e para urina. Células Th17 se associam a curso menos grave da NL e são induzidas pela terapia. Diferenças na distribuição de células CD4+ entre NL e NC foram observadas apenas no SP e não na urina. Esses achados auxiliam a compreensão do processo fisiopatológico da NL.