Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2016 |
Autor(a) principal: |
Segunda, Maria Guadalupe |
Orientador(a): |
Sousa, Ilza Matias de |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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Programa de Pós-Graduação: |
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/21130
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Resumo: |
Esta tese tem como objeto de estudo a análise da tessitura ficcional de Buriti, novela de Guimarães Rosa, constante da obra Corpo de Baile. Constitui-se como principal referência o aporte filosófico de Gilles Deleuze e outros teóricos afins, como Mircea Eliade, Derrida, Bataille, Félix Guattari, Foucault, Blanchot e Nietzsche, os quais, a exemplo da escrita problematizadora de Guimarães Rosa, apresentam como matriz básica do pensamento a desterritorialização dos conceitos, das normas, do conhecimento institucionalizado pela estrutura canônica da língua. Em confluência com a perspectiva teórica de alteridade vigente nesses autores, Buriti se encontra atravessada por uma estética fundamentada na multiplicidade de pontos de vista narrativos, abrindo brechas para outras vozes não sacralizadas, nômades, utilizando a polifonia como uma forma de transgredir, desestabilizar verdades cristalizadas, pertinentes aos cânones da língua pátria. Entretecida por uma vertente poética, de transgressão, a narrativa de Buriti se acha especialmente marcada pelos signos do sertão e da noite, os quais apontam rizomaticamente para um sentido de infinitude, de eternidade, de solidão, de vertigens ante o abissal, evocando a singularidade de um ser-tão ante a noite, “o corpo de noturno rumor.” As noites do sertão em Buriti dão margem à irrupção de um estado de subjetividade, o ser-tão, cuja natureza se mostra como um espaço de comunhão dos diversos seres, em que os humanos se colocam no mesmo plano de outros seres vivos, configurando um território cósmico de partilha, de fruição entre a dor e o prazer, entre a morte e a vida. É a noite que em meio às trevas, à escuridão, revela o ser-tão, o ser em suas entranhas, confrontando-se com ele mesmo, com seus rumores internos, que se projetam através dos ruídos, dos barulhos da noite amplificados pela vastidão, pelo desértico do sertão. “O sertão é de noite.” (ROSA, 1988, p.92). |