Depressão e insônia entre trabalhadores da atenção terciária à saúde durante a epidemia de COVID-19

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Flesch, Betina Daniele
Orientador(a): Fassa, Anaclaudia Gastal
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/15051
Resumo: Introdução: O setor saúde conta com um grande contingente de trabalhadores, empregando mais de 4% dos trabalhadores formais no Brasil. A depressão acomete de 30 a 40% e a insônia 10 a 30% da população e os trabalhadores de saúde estão entre os mais afetados por estas patologias. Objetivo: O presente estudo tem como objetivo avaliar a depressão e a insônia entre trabalhadores da atenção terciária à saúde diante do enfrentamento da COVID-19 no município de Pelotas/RS, bem como os fatores sociodemográficos, comportamentais e ocupacionais associados a estas morbidades. Métodos: Realizou-se um estudo transversal em um Hospital Escola (HE) do Sistema Único de Saúde (SUS), de referência para o tratamento da COVID-19, em uma cidade de porte médio do sul do país após o primeiro pico da COVID-19 no município. A coleta dos dados ocorreu entre outubro e dezembro de 2020, foram incluídos todos os trabalhadores que atuaram de forma presencial durante o período da pandemia de COVID-19. Episódio depressivo foi aferido pelo instrumento PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) e a insônia pelo Insomnia Severity Index (ISI). A análise dos fatores associados a estes desfechos foi conduzida através de regressão de Poisson com seleção para trás. Realizou-se também uma revisão sistemática sobre insônia nos trabalhadores da linha de frente em situações de emergência sanitária e uma metanálise sobre a prevalência de insônia entre os trabalhadores. Resultados: Obteve-se uma amostra de 1159 trabalhadores. O episódio depressivo maior (EDM) teve uma prevalência de 15,4% (IC95% 13,4-17,6) e foi maior entre trabalhadores jovens, brancos, do sexo feminino, com histórico familiar de depressão, residentes, profissionais de enfermagem, trabalhadores que estiveram expostos a três ou mais situações de dilema moral e aqueles que tiveram que postergar alguma necessidade fisiológica. Ter fator de risco para COVID-19, ser fumante e ser inativo fisicamente também foram associados positivamente ao EDM. A prevalência de insônia foi de 31,2% (IC 28,6-33,9) e essa foi superior entre: trabalhadoras do sexo feminino; aqueles que não tinham companheiro(a); profissionais com ensino superior e com pós-graduação em comparação aos que não possuíam ensino superior; outros profissionais de saúde, técnicos/auxiliares de enfermagem, enfermeiros e residentes comparados aos médicos. O trabalho ativo e o trabalho de alta exigência estiveram associados à maior prevalência de insônia. A metanálise realizada encontrou uma prevalência síntese de insônia de 47% (IC 41-53%, I^2 97,09%, p <0,01), e de insônia moderada a grave de 14% (IC 11-16%,I^2 95,05%, p <0,01), não sendo observada diferença significativa entre profissões. Conclusão: A prevalência de problemas de saúde mental entre os trabalhadores de saúde é importante e está relacionada a vários aspectos do processo de trabalho. Assim, é necessário realizar modificações na organização do trabalho, como a redução da demanda de trabalho e ampliação do controle, além de incentivar o apoio social ao trabalhador. Além disso, é preciso garantir acesso aos cuidados de saúde, em particular à atenção à saúde mental, propiciando a detecção precoce, atenção integral e prevenção de problemas crônicos que possam resultar do enfrentamento da emergência sanitária do COVID-19.