Efeitos da vibração de corpo inteiro sobre a capacidade funcional, força e espessura muscular e qualidade de vida de pacientes pós Covid-19

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: MOURA, Elaine Cristina Santa Cruz de
Orientador(a): MARINHO, Patrícia Érika de Melo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Fisioterapia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/50603
Resumo: Indivíduos que foram infectados e hospitalizados pela COVID-19 podem apresentar sequelas da doença, cujos efeitos, de médio e longo prazo, podem afetar as atividades de vida diária. Dentre as alterações pode-se encontrar doenças cardiovasculares, alterações na massa e estrutura muscular, redução nas fibras de contração e deterioração bem como redução da capacidade de resistência muscular, tornando o treino muscular para esses pacientes amplamente recomendado. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos de um programa de treinamento com a vibração de corpo inteiro (VCI) sobre a capacidade funcional, a força de preensão palmar e respiratória, espessura muscular de quadríceps e a qualidade de vida de pacientes recuperados da forma moderada ou grave da COVID-19. Trata-se de um ensaio clínico controlado e randomizado aprovado pelo comitê de ética em pesquisa institucional com o parecer: 5.212.164 e cadastrado na plataforma de ensaios clínicos brasileiro (ReBEC) sob número RBR-8t983f7. Participaram do estudo indivíduos de ambos os sexos, acima de 18 anos que tiveram o diagnóstico de COVID-19 estabelecido por meio do exame de RT- PCR, IgG ou IgM positivo e que estiveram internados em hospitais da rede pública da região metropolitana do Recife e tiverem recebido alta hospitalar há pelo menos 4 meses. Os participantes realizaram avaliação médica para descartar riscos tromboembólicos, seguida pela avaliação fisioterapêutica que avaliou a: capacidade funcional, (Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6min); Força de Pressão Palmar (FPP) (dinamometria manual); força muscular respiratória (manovacuometria); espessura muscular do quadríceps (ultrassonografia muscular) e qualidade de vida (questionário SF-36). O protocolo de exercício foi constituído por 36 sessões, realizadas 3 vezes por semana em dias alternados e, o tempo total de exposição à vibração por sessão foi de 20 minutos. Os resultados do presente estudo se encontram no artigo original “Effects of whole-body vibration on functional capacity, muscle strength and thickness, and quality of life of post-COVID-19 patients: a case series”. Foram realizadas 23 a 36 sessões entre os 8 participantes. Ao se comparar o desempenho dos participantes antes e após o exercício, pode-se observar ganhos entre os desfechos avaliados, dentre eles a distância percorrida no TC6min (ganho entre 4 a 292m) e manutenção/perda na distância percorrida em P1 e P6, respecitvamente. Foi observado ganho de FPP para participantes (P4, P5, P6 e P7), que variou em cerca de 2 a 18,1 KgF. Em relação à espessura do quadríceps, foi observado ganho em P1, P4, P5 e P6 (entre 1,8 a 10,2mm), manutenção de valores em (P2, P3 e P7) e diminuição em P8 (-1,0mm). Em relação à força muscular respiratória, foi observado ganho da pressão inspiratória máxima em quase todos os participantes, exceto para P2 (mantido); em relação à pressao expiratória máxima também foram obtidos ganho para P1, P4, P6, P7 e P8, manutenção para P2 e perda para P3 e P5 (3 e 10 cmH2O, respectivamente). Quanto a qualidade de vida, no entanto, a resposta do treinamento variou entre os participantes, onde alguns responderam favoravelmente, outros parcialmente em alguns domínios, e alguns que não apresentaram respostas ou se mantiveram inalterados. Foi observada melhora na qualidade de vida em relação aos domínios ‘capacidade funcional’ ‘limitações por aspectos físicos’, ‘vitalidade’, ‘aspectos sociais’ e ‘saúde mental’ entre os participantes. A VCI proporcionou ganho nos diversos desfechos avaliados ao final do treinamento, no entanto, esse achado ocorreu de forma mais pronunciada em alguns participantes, sem mudanças em outros. Considerando que o protocolo foi bem tolerado e sem presença de efeitos adversos, e que apenas um pequeno número de participantes foi incluído nessa série de casos, recomendamos a continuidade desse protocolo de treinamento a fim de que uma amostra maior de participantes possa evidenciar os resultados dessa intervenção como alternativa para melhorar a condição funcional daqueles que foram acometidos pela COVID-19 na forma moderada e grave.