Mitos, Memória e Infância em "Órfãos do Eldorado", de Milton Hatoum

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2009
Autor(a) principal: Silva, Marcos Vinicius Medeiros da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: http://www.teses.ufc.br:
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3448
Resumo: A presente pesquisa investiga através de uma perspectiva hermenêutica de vertente comparatista a elaboração discursiva das memórias da infância presentes na novela Órfãos do Eldorado (2008) de Milton Hatoum. Nessa novela, as imagens dos mitos amazônicos surgem em meio a uma estruturação narrativa que remete ao relato oral e dessa forma configura uma obra ficcional em que a forma e o conteúdo tornam-se um binômio indissociável e harmônico. A intertextualidade também se expressa no nível formal quando os sentidos implícitos às narrativas míticas são referendados no relato confessional da infância da personagem Arminto Cordovil que conta sua história, reconstrói sua memória e, logo, elabora uma face de sua identidade. Quando a memória se transforma em relato, surge o pacto com cada leitor que toma seu lugar e escuta a trajetória da personagem, delineada na velocidade e na ambivalência permitidas pela lembrança, a qual reconstrói a infância que marca a importância da origem do tempo primordial. O diálogo entre os mitos e o cotidiano e entre a oralidade e a escritura revela que a busca pelo Eldorado se re-configura na eterna busca humana pela legitimação de seus desejos e sonhos, sonhos estes voltados à transcendência da realidade comum para alcançar o paraíso perdido. Em meio à multiplicidade étnica de Manaus o tempo dos mitos e o tempo histórico se conjugam em sua essência formal e temática e dessa forma observamos o surgimento dessa Cidade Encantada de Milton Hatoum. O mito particularizado é ao mesmo tempo universal e uma vez rearticulado no texto contemporâneo torna-se tradutor de conflitos humanos modernos e atemporais