Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Souza, Gustavo Pereira Machado De Melo
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Orientador(a): |
Lage, Victor Coutinho
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Banca de defesa: |
Lage, Victor Coutinho
,
Delgado, Ana Carolina Teixeira
,
Urt, João Nackle
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Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Bahia
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Programa de Pós-Graduação: |
Coleções por área do conhecimento
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Departamento: |
Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos - IHAC
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41240
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Resumo: |
A dissertação objetiva discutir de que maneira os povos indígenas da América Latina permitem repensar o desenvolvimento a partir de seus territórios e de sua práxis cotidiana. É uma pesquisa de caráter teórico-empírico que recorreu à revisão bibliográfica de referências indígenas e não indígenas, entrevista semiestruturada e estudo de caso. Apresenta-se o desenvolvimento como um conceito cujas características fundamentais são a universalidade e a unidirecionalidade, o que relega a uma posição subalterna modos de pensar e de viver diferentes dos seus. Em contraposição a essas características surgiram as propostas de alternativas ao desenvolvimento, que almejam o pluriverso, cujo processo de construção se assemelha ao de tecer. Os povos indígenas têm posição protagonista nessa nova tessitura, à medida que seus modos de vida rompem com a divisão entre natureza e cultura que fundamenta o desenvolvimento e propõem o envolvimento como alternativa ao des-envolvimento. Dessa forma, constroem um futuro baseado em tecnologias ancestrais e que não degradam a natureza, como fazem os Guarani em São Paulo, ao conceberem o Cinturão Verde Guarani, que abraça a metrópole e preza pela convivência de modos de vida radicalmente diferentes dos predominantes na cidade. O caso é representativo do que ocorre com povos indígenas de outros lugares da América Latina, mas guarda especificidades, como qualquer iniciativa que constrói o pluriverso, já que elas se baseiam em territórios com singularidades geográficas e culturais. A pesquisa conclui que a universalidade e a unidirecionalidade são contrapostas na prática pelo cotidiano dos modos de vida indígenas, cujas tecnologias permitem repensar o desenvolvimento, criando alternativas a ele. Além disso, o debate realizado na dissertação contribuiu ao menos de duas maneiras para as Relações Internacionais. Em primeiro lugar, enfatiza a contribuição teórico-conceitual de pensadores e pensadoras indígenas para uma crítica ao desenvolvimento, um dos conceitos centrais desse campo. Em segundo lugar, através da discussão das noções de envolvimento e de pluriverso, leva a disciplina a se abrir ao entendimento das relações internacionais como relações entre mundos. |