“As pessoas precisam entender que a gente existe...” - (auto)biografias docentes LGBTI+ do IFBA

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Wallace Matos da lattes
Orientador(a): Guimarães, Rafael Siqueira de lattes
Banca de defesa: Guimarães, Rafael Siqueira de lattes, Silva, Cássia Beatriz Batista e lattes, Costa, Joacir Marques da lattes, Cruz, Izaura Santiago da lattes, Meira, Célio Silva lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) 
Departamento: Faculdade de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41349
Resumo: A presente tese é fruto da caminhada de inquietações e desconfortos oriundos da vivência do pesquisador e da partilha de outras vivências de docentes LGBTI+ do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Constitui-se, também, como um espaço afetivo-discursivo-territorial-político das experiências vividas que enveredaram os (des)caminhos para a concretização de uma pesquisa cujos protagonistas são os sujeitos da experiência em pleno exercício de seus papeis sociais na docência, nos mais diversos campi da rede IFBA. Ao mesmo tempo, este estudo e esses sujeitos delineiam um lugar de fronteira que precisava ser demarcado territorialmente. Urgia a escuta dos nossos corpos frequentemente tidos como abjetos na instituição em que trabalhamos, de modo que fossem oportunizados espaço-tempos para pensar o “deseducamento” desses corpos. Esta perspectiva contribui para uma travessia mais fecunda, que serviu de “ponte” para dar conta da problemática de como é ser-estar docente LGBTI+ na educação tecnológica e profissional no âmbito do IFBA. À luz dessa inquietação, potencializaram-se novos questionamentos, indagações, novos olhares e críticas em relação aos estudos que envolvem as dimensões docentes-subjetividades-narrativas. Por se tratar de uma pesquisa com narrativas, com colegas, havia o comprometimento com uma condução que privilegiasse a manutenção constante do olhar sensível-investigativo na posição de pesquisador imbuído da perspectiva de “sujeito da experiência”. A pesquisa objetivou compreender como as docentes e os docentes LGBTI+ forjam suas experiências e vivências na atuação profissional, no âmbito do IFBA. Para dar conta desse objetivo geral, outros mais específicos se fizeram necessários, como, (i) conhecer as histórias de vida de docentes LGBTI+ do IFBA, através de narrativas (auto)biográficas; (ii) identificar as vivências identitárias, formacionais e experienciadas; e (iii) compreender como as questões de dissidências sexuais e de gênero impactam nos modos de subjetivações docentes LGBTI+ na sua atuação profissional. Os estudos das dissidências de gêneros e sexualidades e das (auto)biografias ampararam e serviram de alicerces teórico-metodológicos para as discussões, análises e compreensões das biografizações constantes na tese. O percurso metodológico da tese possibilitou a criação da Rota da Via(da)gem que foi estruturada em três fases, denominadas como: Iniciação, Montação e Lacração. Nessa Rota, narrativiza-se todo o processo da pesquisa de campo, desde os fundamentos teóricos-metodológicos às ações procedimentais para a execução da pesquisa. A análise das informações geradas pelas entrevistas foi sistematicamente estruturada em três eixos biografizantes que nortearam os grandes diálogos da entrevista narrativa: Eixo Biografizante das Vivências (EBV), Eixo Biografizante das Experiências Formacionais (EBEF) e o Eixo Biografizante da Atuação Docente (EBAD). Concluo que as narrativas das/dos docentes LGBTI+ revelaram que o IFBA se constituiu em um desejo e uma vontade das/dos docentes, em fazer parte da instituição e que estão em um lugar privilegiado de contribuição no sentido de serem pontencializadores para mudanças sociais e transformações de vidas das/dos discentes. Esse lugar se constitui de atravessamentos de múltiplas realidades, contradições e ambiguidades, que os forjam como mobilizadores e (re)(auto)criadores de práticas pedagógicas transgressoras transversalizadas pelas perspectivas das dissidências de sexualidades e de gênero. Isso se dá em quaisquer das atribuições na atuação profissional como docente da carreira do ensino técnico e tecnológico, nas dimensões da instituição: ensino, pesquisa, extensão e gestão.