CONDIÇÕES SOCIAIS PARA A ATRATIVIDADE, O ACESSO E A PERMANÊNCIA NAS LICENCIATURAS DA UEPG

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Melo, Ana Paula de lattes
Orientador(a): Masson, Gisele lattes
Banca de defesa: Lima, Michelle Fernandes, Flach, Simone de Fátima
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual de Ponta Grossa
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação
Departamento: Departamento de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://tede2.uepg.br/jspui/handle/prefix/2636
Resumo: Esta dissertação possui como tema as políticas de valorização docente, as quais envolvem, de maneira geral, a formação, as condições de trabalho, a carreira e a remuneração. Neste trabalho procuramos desvelar as particularidades escondidas no processo da formação inicial de professores. Assim, buscamos responder ao seguinte questionamento: quais os condicionantes sociais para a escolha da profissão docente tendo em vista o acesso e a permanência nas licenciaturas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)? Para tanto, objetivamos analisar os principais determinantes que levam os estudantes a escolher a profissão docente e suas influências nas condições de acesso e permanência nas licenciaturas da UEPG. Na busca por atender ao nosso objetivo, referenciamo-nos no aporte teórico metodológico marxista, o materialismo histórico-dialético. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário com 67 questões de múltipla escolha aplicado aos alunos das turmas dos quartos anos das licenciaturas da UEPG, em 2017, sendo pesquisados os cursos de licenciatura em Artes visuais, Ciências Biológicas, Educação Física, Física, Geografia, História, Letras Português/Inglês, Matemática, Música, Pedagogia e Química. Foram contemplados, no questionário, os aspectos socioeconômicos, institucionais, familiares e pessoais dos licenciandos. Em 2018, realizamos entrevistas semiestruturadas com seis egressos oriundos das licenciaturas em que aplicamos o questionário, com a intenção de aprofundar algumas questões desse instrumento. De acordo com as informações obtidas, a maioria dos licenciandos é trabalhador, oriundo da educação básica pública, com renda mensal familiar de até três salários mínimos, já pensou em desistir ou trancar o curso, sente a necessidade de auxílio estudantil, principalmente em relação ao transporte e à alimentação. Dessa maneira, consideramos que a organização precária do trabalho, na sociedade capitalista, gera, por sua vez, uma precarização na formação do trabalhador. Por isso, entendemos que a escolha pela docência e o acesso à educação superior são condicionados, principalmente, pela necessidade de trabalhar, e a permanência só é possível devido à conciliação do trabalho com a graduação. Dessa forma, o mesmo elemento – trabalho– que possibilita a permanência do estudante, pode desqualificar a sua formação e levá-lo à evasão. Por isso, ser trabalhador, cursar uma licenciatura e se formar professor, é um ato de resignação e resistência ao capital. Resignação porque a opção pelo magistério e o acesso ao curso superior se dão de acordo com as possibilidades oferecidas pelo capital. Resistência porque ser trabalhador, com condições socioeconômicas desfavoráveis e, ao mesmo tempo, ser estudante, é ir contra a perspectiva de que os trabalhadores devem trabalhar somente para reproduzir sua força de trabalho. Pretendemos contribuir com o estudo realizado, dentro das possibilidades oferecidas na busca pela emancipação política, por meio do conhecimento da realidade que perpassa a formação inicial dos professores da UEPG, de maneira a auxiliar na transformação dessa realidade, com políticas que atendam às demandas apresentadas neste trabalho. Porém, sem perder de vista que somente por meio da emancipação humana é que poderemos, verdadeiramente, libertar-nos dos entraves impostos pelo capital, nos mais diversos aspectos da vida humana.