Interfaces ecomiméticas de O coração das trevas e O mundo se despedaça: a ecocrítica pós-colonial em perspectiva

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Vasconcelos, Clara Mayara de Almeida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual da Paraíba
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa - PRPGP
Brasil
UEPB
Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade - PPGLI
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/tede/4308
Resumo: Ao longo do tempo, o estudo de obras literárias foi desenvolvido sob diversas perspectivas teóricas que, por vezes, privilegiaram a forma, a estrutura, o materialismo histórico ou a recepção do texto, entre tantas formas possíveis de observar as formações discursivas e ideológicas que lhes são constituintes. Do mesmo modo, pouca relevância foi concedida ao estudo da relação entre as representações do humano e do não-humano, fato que ecoa a subjugação dos indivíduos marginalizados pelo pensamento euro-americano que situa a raça humana como superior às demais. Dessa maneira, por meio dos estudos entre as obras O coração das trevas (2017) e O mundo se despedaça (2009) sustentamos a tese que o humano concerne à relação masculino-racional hegemônica e o não-humano/humano animalizado está relacionado ao feminino-irracional subalternizado. Como objetivos específicos, tencionamos: a. compreender como as obras dialogam sob a perspectiva dos estudos pós-coloniais; b. delinear um diálogo entre o corpus e reflexões acerca do antropoceno, bem como do especismo como prática subjugadora, sinônima do racismo; c. projetar uma interlocução entre O coração das trevas e O mundo se despedaça, a partir das considerações ecofeministas. Nesse panorama, os estudos ecocríticos, associados aos pós-coloniais, abrem caminho para uma percepção das obras corpus desta pesquisa que questionam a própria concepção de humano, com base nas interações e intervenções que o sujeito metropolitano estabelece com os povos autóctones dos atuais Congo e Nigéria, a partir de sua formação social e discursiva eurocentrada. Sendo assim, por meio de uma pesquisa analítico-comparatista de cunho qualitativo, utilizamos as considerações de teóricos e críticos dos estudos pós-coloniais, culturais e ecocríticos para alicerçar as análises aqui desenvolvidas. Para tanto, no que concerne aos estudos pós-coloniais e culturais, utilizamos as considerações de Quijano (1997; 2009), Pániker (2001), Ashcroft, Griffiths e Tiffin (2004), Santos (2007), Said (1984; 1990; 1995; 1999; 2011), Fanon (2005; 2008), Bhabha (1998), Amadiume (1987; 1989), Perrone-Moisés (2016), Pratt (1999), Oyěwùmí (2004; 2016), Hall (2006), Bonnicci (2000; 2004) entre outros. No tocante à Ecocrítica, destacamos as contribuições de Curtin (2005), Glotfelty e Fromm (1996), Huggan e Tiffin (2016), Derrida (2002), Derrida e Roudinesco (2004), Buell (2005), Garrard (2006), Mies e Shiva (1993), Deegan e Podeschi (2001), Cohen (2004), Mirzoeff (2018), Boes e Marshall (2014), bem como Plumwood (1993; 2003), entre outros autores, cujas contribuições embasaram as reflexões acerca do antropoceno, especismo e ecofeminismo em diálogo com a literatura. Como resultados alcançados, podemos destacar que os discursos falocêntrico, patriarcal, androcêntrico, antropocêntrico e misógino situam, em polos opostos, os indivíduos dominadores e subalternizados sob uma perspectiva eurocentrada, pautada em um projeto de ocidentalização, que, a partir do processo de transculturação, também penetrou nas sociedades autóctones. Tais reverberações da ocidentalização podem ser verificadas em O mundo se despedaça, que, constituindo-se como um romance-resposta ao coração das trevas, ressoa a formação discursiva outremizadora europeia, a qual é detectável por meio das ações do protagonista. Desse modo, constatamos que O mundo se despedaça recai no mesmo paralelismo que Achebe critica em O coração das trevas, que é o reforço das marcas estereotipadas e preconceitos contra aqueles considerados inferiores ao sujeito hegemônico.