Validação do Protocolo de Avaliação de Softwares Pedagógicos para Ensino de Língua Portuguesa: O Instrumento sob o Olhar do Professor

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Ribeiro, Fernanda Rodrigues
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=95957
Resumo: A Era Digital, que diz respeito ao período em que avanços na tecnologia proporcionaram uma transformação na sociedade no que respeita, principalmente, à forma de interação entre pessoas, tem apontado novos rumos para o processo educacional. No contexto escolar atual, percebemos a presença de recursos digitais com fins pedagógicos para facilitar o ensino e a aprendizagem de conteúdos didáticos. Todavia, no que tange aos softwares educativos, especificamente, existem poucos instrumentos para avaliação da qualidade desses recursos disponíveis na literatura, o que levou à sugestão, em pesquisa anterior (RIBEIRO, 2013; ARAÚJO; FREITAS, 2017), do Protocolo de Avaliação de Softwares Pedagógicos voltados para ensino de Língua Portuguesa (PASP). Esse instrumento, embora proposto, não foi validado. Assim, neste trabalho, objetiva-se descobrir os potenciais e as limitações que professoras da Educação Básica que ensinam Língua Portuguesa em uma escola pública de Fortaleza encontram quando usam o PASP com o fim de selecionar softwares educativos para o ensino de leitura em Língua Portuguesa, para que, a partir das respostas dessas docentes, seja possível sugerir uma versão refinada desse instrumento de avaliação. A fundamentação teórica que embasa esta pesquisa compreende conceitos da teoria dialógica do discurso (BAKHTIN, 2003; BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009), de leitura (KOCH, 2006; KOCH; ELIAS, 2007), de compreensão leitora (DUKE; PEARSON, 2002; ROJO, 2004), de multiletramentos (BRASIL, 2017; COPE; KALANTZIS, 2000, 2013; ROJO, 2009; ROJO; BARBOSA, 2015; ROJO; MOURA, 2012), de avaliação de softwares educativos (RODRIGUES, 2014; SILVA, 2012). A operacionalização deste estudo se deu por meio de uma metodologia de abordagem qualitativa, de natureza aplicada, com caráter interpretativista, cujo tipo é definido como investigação-ação. Participaram desta pesquisa quatro professoras de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II. Para a coleta dos dados, foram utilizados questionário, entrevista individual, o PASP, notas de campo, diários das professoras e grupo focal. Quanto aos procedimentos, a pesquisa foi dividida em três etapas: 1) apresentação, entrevista e aplicação de questionário; 2) análise de software educativo sem e com o PASP pelas participantes e discussão em grupo, para proposição da primeira versão do novo instrumento de avaliação; e 3) análise de software educativo com a primeira versão do novo instrumento de avaliação e discussão em grupo com as participantes da pesquisa, para proposição da versão final desse instrumento. Os dados evidenciam que, ainda que o PASP tenha auxiliado as professoras a escolher softwares educativos de leitura em Língua Portuguesa de melhor qualidade, a ausência de pontos atribuídos a cada critério de avaliação, bem como a extensão do instrumento e a linguagem nele empregada dificultaram, em muitos momentos, a análise realizada pelas docentes. Além disso, a análise dos dados nos levou à proposição de um novo instrumento de avaliação, o Instrumento de Avaliação de Softwares Educativos de Leitura em Língua Portuguesa (IASELP), que se distancia bastante da versão original, assim como nos permitiu constatar que professores com baixo letramento digital sentirão dificuldade em avaliar softwares educativos ainda que disponham de instrumentos de avaliação. Assim, faz-se necessário o investimento na formação desses docentes no que respeita, especialmente, aos multiletramentos. Desse modo, quando os professores dominarem efetivamente os usos das múltiplas linguagens, novos caminhos serão trilhados no contexto educacional.