Diagnóstico diferencial clínico e laboratorial entre leishmaniose mucosa, paracoccidioidomicose, tuberculose e hanseníase com acometimento das vias aéreas e digestivas superiores

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Braga, Frederico Pereira Bom
Orientador(a): Rosalino, Cláudia Maria Valete
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/60675
Resumo: Introdução: As doenças infecciosas granulomatosas (DIG) podem acometer as vias aéreas e digestivas superiores (VADS), causando lesões de aspecto granuloso e/ou ulcerado e, por vezes, com erosão parcial ou total das estruturas anatômicas atingidas, com achados clínico-endoscópicos das lesões variáveis, não havendo até o momento a descrição de uma característica única específica que forneça o diagnóstico clínico definitivo da infecção. No Brasil, dentre as DIG das VADS de maior incidência estão a hanseníase (MH), a tuberculose (TB), a paracoccidioidomicose (PCM) e a leishmaniose mucosa (LM). Objetivo: Comparar o perfil epidemiológico, clínico e laboratorial das diferentes DIG das VADS. Métodos: Estudo observacional do tipo transversal em pacientes com diagnóstico confirmado de DIG das VADS no ambulatório de Otorrinolaringologia do INI - FIOCRUZ num período de 14 anos, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2018. Os resultados da anamnese, exames clínico, otorrinolaringológico e laboratorial (sorologias, imprint, culturas, anatomopatológico, testes intradérmicos, exames de imagem e PCR) foram tabulados. Para a associação das variáveis com as diferentes doenças foi empregada uma técnica de redução de dimensionalidade denominada análise de correspondência múltipla. Resultados: A PCM foi mais comum na laringe e cavidade oral, sendo os sítios mais comuns a epiglote e a mucosa jugal; o principal sintoma específico foi odinofagia e o inespecífico foi emagrecimento; a lesão era comumente infiltrada e o aspecto moriforme foi praticamente exclusivo; o teste de maior positividade foi a sorologia e o RX de tórax apresentava alteração peri-hilar; a celularidade foi predominantemente composta por células de Langhans e linfócitos. A TB foi mais comum na laringe, em especial nas pregas vocais; o principal sintoma específico foi disfonia e o inespecífico foi tosse produtiva; a lesão era comumente infiltrada e/ou granulosa; o teste de maior positividade foi a cultura e o RX de tórax apresentava alteração apical; a celularidade foi predominantemente composta por células de Langhans e necrose. A MH foi mais comum na cavidade nasal, em especial no septo nasal; o principal sintoma específico foi o ressecamento nasal e o inespecífico foi emagrecimento; a lesão mais comumente observada foi a púrpura; o teste de maior positividade foi a baciloscopia, seguido do histopatológico com celularidade predominantemente composta por linfócitos e histiócitos. A LM foi mais comum na cavidade nasal, em especial nas conchas inferiores e médias; o principal sintoma específico foi obstrução nasal e o inespecífico foi dor no local da lesão; o teste de maior positividade foi à sorologia e a celularidade predominantemente composta por plasmócitos e linfócitos. Conclusão: Os principais diagnósticos diferenciais devem ser feitos entre lesões laríngeas de PCM e de TB e entre lesões nasais de MH e de LM. Nas lesões laríngeas, a cultura do escarro para fungos e micobactérias e o RX de tórax, associados à sorologia para PCM, permitem o diagnóstico diferencial. Nas lesões nasais, o aspecto clínico das lesões, com mucosa ressecada, crostas melicéricas e púrpura na MH, e aspecto infiltrado, granuloso e com ulcerações na LM, associado à sorologia na LM, facilitam o diagnóstico diferencial. Em todos os casos, a confirmação etiológica é sempre desejável