Princesas-guerreiras, super-heróis e maratonistas em castelos de areia: cuidado e reconstrução de sentidos em narrativas de adultos jovens com câncer

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Affonso, Paula Lorena Moura Gomes
Orientador(a): Sá, Marilene de Castilho
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/46331
Resumo: Esta pesquisa buscou compreender o modo como os pacientes adultos jovens com câncer dão sentido ao seu processo de adoecimento e tratamento apoiados nas relações de cuidado no contexto de internação hospitalar, com ênfase na sua relação com os profissionais de enfermagem. Falar sobre o cuidado em saúde em seu aspecto relacional implica reconhecer suas dimensões intangíveis, em especial o vínculo, autonomia e criatividade possíveis para esses pacientes. Indagou-se se e como essas dimensões poderiam se fazer presentes nas experiências dos pacientes e quais seriam os sentidos (re)construídos acerca dessas experiências. A pesquisa se fundamentou nos referenciais da Psicossociologia Francesa de base psicanalítica e sua realização se deu através da construção e análise de narrativas sobre as vivências dos pacientes durante os períodos de internação, sendo estas construídas em conjunto pelos pacientes e pesquisadora. Os resultados foram analisados conforme quatro categorias que emergiram das narrativas: \201CConstruções sobre castelos de areia \2013 o lugar do vínculo nas relações de cuidado e novas formas de saúde\201D, \201CSherazade, super-heróis, princesa-guerreira e maratonista \2013 autonomia, criatividade e (re)invenções da saúde após o câncer\201D, \201CA face \2018amiga\2019 da morte \2013 possibilidades de falar sobre o inominável e pensar sobre o inimaginável\201D e \201C Interpelar, refletir e implicar-se: a pesquisadora no processo de construção das narrativas\201D. As dimensões intangíveis mostraram-se imbricadas umas às outras nas experiências de adoecimento e tratamento dos pacientes; no caso do vínculo, foi apontado sua importância enquanto confiança e pelas funções de holding (sustento) e containing (continência). A autonomia e criatividade foram discutidas através das representações singulares e metáforas que esses pacientes utilizaram para falar sobre seu processo de saúde-doença. O tema da morte foi dividido em três momentos que articularam passado, presente e futuro dos pacientes: o diagnóstico, o tratamento no hospital e as situações nas quais presenciaram a morte de amigos e colegas de quarto durante a internação. A última categoria tratou da participação implicada da pesquisadora na construção dos sentidos, tanto na escrita das narrativas quanto no momento de análise clínica destas. Os pacientes puderam expressar que a partir dessas relações de cuidado foram possíveis construções singulares para \201Catravessar\201D o momento de adoecimento e tratamento, mesmo frente à ruptura, o desencaixe e a desconstrução trazidos pelo câncer.