Níveis sanguíneos de hidroxicloroquina e incidência de flare após o uso de dose baixa (23 mg/kg/dia) em pacientes com antecedente de nefrite lúpica: resultados de um ensaio clínico randomizado controlado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Zanetti, Caio Bosquiero
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-15062023-144947/
Resumo: Em 2016, a Academia Americana de Oftalmologia (AAO) recomendou que, para pacientes com lúpus, a dose de hidroxicloroquina (HCQ) não deve exceder 5 mg/kg/. Recentemente, foi demonstrado que a dose recomendada pela AAO é capaz de manter níveis sanguíneos adequados de HCQ para a maioria dos pacientes com nefrite lúpica (NL), bem como um baixo risco de flare. No entanto, a dose mínima de HCQ necessária para manter níveis adequados da droga é desconhecida. Esse estudo tem como objetivo avaliar se a redução adicional na dose de HCQ recomendada pela AAO sustentaria os níveis sanguíneos de hidroxicloroquina em indivíduos com NL estável por um período de 12 meses. Foram avaliados setenta e três pacientes com NL estável, em uso da dose recomendada pela AAO por 6 meses e com níveis sanguíneos basais adequados de HCQ (613,5 ng/mL). Os indivíduos foram divididos em dois grupos: dose baixa de HCQ (23mg/kg/dia), n = 32, e dose recomendada pela AAO (5 mg/kg/dia), n = 41. Todos os pacientes passaram por rigorosa avaliação clínica e laboratorial no início do estudo e aos 3, 6 e 12 meses. Os níveis sanguíneos de HCQ foram medidos por HPLC e espectrometria de massa em tandem. O flare foi definido como aumento 3 no SLE Disease Activity Index-2000 e/ou mudança no tratamento. A avaliação prospectiva revelou para o grupo dose baixa uma diminuição dos níveis sanguíneos de HCQ já aos 3 meses (1.404,9 ± 492,0 vs. 731,6 ± 385,0 ng/mL, p < 0,01), permanecendo estáveis e baixos aos em 6 meses (p = 0,273) e 12 meses (p = 0,091). Para o grupo dose recomendada pela AAO, ocorreu uma diminuição dos níveis sanguíneos apenas aos 12 meses (1343,5 ± 521,5 vs. 991,6 ± 576,3 ng/mL, p < 0,001). A frequência de pacientes com níveis sanguíneos inadequados foi maior no grupo de dose baixa aos 6 (56% vs. 23%, p = 0,005) e aos 12 meses (66% vs. 32%, p = 0,002). A frequência de flare aos 6 e 12 meses foi similar nos dois grupos (p > 0,05). Em conclusão, a prescrição de dose baixa de HCQ (23 mg/kg/dia) não é capaz de sustentar níveis sanguíneos adequados de HCQ em 6 e 12 meses para a maioria dos pacientes com NL estável. Já a dose recomendada pela AAO é suficiente para manter os níveis sanguíneos de HCQ bem acima do limite de segurança para flare