Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2019 |
Autor(a) principal: |
Campos, João Paulo de Freitas |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-30082019-120248/
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Resumo: |
Este ensaio apresenta uma leitura do filme Era uma vez Brasília (2017), do cineasta Adirley Queirós. A análise da obra é realizada através de um trabalho descritivo de sua mise en scène e da relação que estabelecemos no texto entre a obra do filósofo Walter Benjamin e o filme. Nesta jornada, partimos de uma perspectiva teórico-metodológica que procura pensar com as operações estéticas que o filme utiliza para compor arranjos de imagem e som. Diante da mise en scène, nos portamos como caçadores no encalço de uma presa: procuramos sinais e vestígios no ecrã e na banda sonora para pensar como o filme de Queirós constrói uma imagem dialética (BENJAMIN, 2018) do presente histórico nacional. Pensando com o paradigma indiciário de Carlo Ginzburg (1989) e com a teoria do conhecimento de Benjamin, descrevemos uma série de aparições: terrenos baldios, histórias do passado, vislumbres do futuro, caveiras e outros elementos emergem na obra, tornando próxima ao espectador uma constelação de lonjuras capazes de nos surpreender e nos despertar para uma situação infernal. O cinema se torna, nessa perspectiva, uma máquina que faz aparecer, apresentando ao espectador mundos que podem subverter a história oficial ou as narrativas do progresso (TSING, 2015). A nossa hipótese afirma que esta obra elabora uma imagem dialética em que interagem os sonhos de progresso do passado de Brasília e o presente histórico do golpe de 2016 numa perspectiva crítica, nos dando a ver e escutar uma Ceilândia figurada como palco infernal da história em curso. Implodindo o tempo cronológico da história, subvertendo espaços reais e friccionando seus personagens, Era uma vez Brasília constrói uma contra-narrativa do progresso, nos mostrando as promessas não cumpridas da História brasileira recente. |