Impacto de uma intervenção educativa para implementação do guia alimentar para a população brasileira na atenção básica em saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Tramontt, Cláudia Raulino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6138/tde-01102020-233042/
Resumo: Introdução: A implementação do Guia Alimentar para a população brasileira (GAB) é uma estratégia para qualificação do trabalho em saúde pública para ampliação do escopo de ações de promoção da alimentação adequada e saudável. Objetivo: Avaliar o impacto de uma intervenção educativa baseada no GAB no conhecimento, auto-eficácia (AE), eficáciacoletiva (EC) e orientação alimentar de equipes multiprofissionais atuantes na Atenção Primária em Saúde (APS). Métodos: Ensaio comunitário controlado, envolvendo 24 profissionais de saúde de diferentes áreas, divididos em grupo controle (GC) e intervenção (GI). O GI recebeu uma oficina educativa de 16 horas sobre o GAB, guiada por protocolo validado. Foram produzidos três manuscritos sobre a avaliação do impacto da intervenção educativa. Artigo 1: Conhecimento, AE e EC para utilização do GAB foram avaliados via escala autoadministrada, variando de 0 a 16 pontos, previamente validada, preenchida antes e após dois meses da intervenção educativa. Teste t pareado foi utilizado para comparação intragrupo no T0 versus T1, e os efeitos da intervenção intergrupos foram estimados por análises de regressão linear. Artigo 2: A orientação alimentar desempenhada pelos participantes baseada no GAB foi aferida mediante observação direta das práticas dos profissionais, durante dois meses antes e depois da intervenção, coletada por instrumento previamente validado. Utilizou-se teste de Kruskal-Wallis para comparação intragrupo no T0 versus T1, e os efeitos da intervenção intergrupos foram estimados por análises de regressão linear generalizada, com 95% de IC. Artigo 3: Recorte transversal do momento pós intervenção para avaliação da correlação entre conhecimento, AE e utilização das recomendações do GAB na prática dos profissionais de saúde. Resultados: Artigo 1: os participantes do GI obtiveram 59 e 52,8% pontos a mais no conhecimento e na AE, respectivamente, em relação ao GC, no entanto, esse aumento não foi significativo para garantir o impacto da intervenção na análise de regressão linear intergrupos no conhecimento, AE e EC (&beta;= 1,18; IC -1.80 a 4.17; &beta;=3,57; IC= -4.15 a 11.29 e &beta;= -2.11, IC= -5.92 to 10.12, respectivamente). Artigo 2: A regressão com interação tempo e grupo, mostrou efeito positivo da intervenção educativa no escore de orientação alimentar baseadas no GAB no GI no modelo bruto (&beta; = 1,36 e p = 0,017) e ajustado por categoria profissional (&beta; = 1,36 e p = 0,020). A abordagem sobre o GAB aumentou significativamente nos profissionais não nutricionistas (p= 0,007) e em atividades não relacionadas diretamente à temática da alimentação/nutrição (p=0,028), no GI na variação de tempo (T1-T0). Não foram encontradas diferenças significativas no GC. Artigo 3: Correlação positiva e moderada entre AE orientação alimentar baseadas no GAB dos profissionais (r=0,45; p=0,03) foi encontrada. Conhecimento obteve fraca correlação com orientações alimentares baseadas no GAB (r= 0,34; p=0,11). Diferença significativa foi obtida entre as médias do escore de orientação alimentar no grupo de baixa AE (AE<63,36) comparada ao de alta AE (p=0,02). Conclusões: Embora a intervenção educativa não tenha demonstrado impacto significativo no conhecimento, AE e EC dos profissionais de saúde, ela foi capaz de impactar as práticas e o desenvolvimento da autonomia dos profissionais de saúde, que pareceram reconhecer a interdisciplinaridade da nutrição e passaram a disseminar recomendações baseadas no GAB em vários cenários e situações da APS.