Resumo: |
Este estudo correlacional, de corte transversal, teve o objetivo geral de avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) de mulheres com idade igual ou superior a 50 anos com HIV/aids e sua associação com fatores sociodemográficos, clínicos e psicossociais. A amostra foi constituída por 200 mulheres que estavam em acompanhamento clínico ambulatorial em três Serviços de Assistência Especializada (SAE) em DST/Aids do município de São Paulo. O estudo contou com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (Parecer n. 09/2010 e 66/2010). Após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, as mulheres foram entrevistadas em local privativo e responderam os seguintes instrumentos: caracterização sociodemográfica e clínica, Medical Outcomes Study 12-Item Short-Form Health Survey (SF-12), HIV/AIDS-Targeted Quality of Life Instrument (HAT-QoL), Escala de Autoestima de Rosenberg (EAER) e Escala de Esperança de Herth (EEH). Os dados foram coletados entre fevereiro e julho de 2010 e foram analisados estatisticamente, incluindo análises descritivas, de confiabilidade e de correlação entre os instrumentos utilizados, comparação de médias e análise de regressão logística. Os resultados mostraram maior comprometimento da QVRS nos domínios Preocupações com o sigilo (30,65 ±30,22) e Preocupações financeiras (35,50 ±35,97), e melhor pontuação nos domínios: Confiança no profissional (79,79 ±21,27) e Preocupações com a medicação (76,49 ±21,06) do HAT-QoL. Identificou-se correlação positiva significante entre os componentes do SF-12 e cinco domínios do HAT-QoL; entre os componentes do SF-12 e os escores da esperança e da autoestima; e entre os domínios do HAT-QoL e a esperança (exceto dois domínios), e a autoestima (exceto dois domínios). Na comparação das médias da QVRS segundo os fatores sociodemográficos, clínicos e psicossociais, observou-se associação estatística nos fatores sociodemográficos (estado marital, escolaridade e renda per capita mensal), clínicos (autopercepção do estado de saúde, carga viral, CD4, tempo de conhecimento do HIV, classificação atual da doença, uso e tempo de tratamento com antirretrovirais e como se sente com o tratamento) e psicossociais (esperança e autoestima). Na regressão logística observou-se que, de forma geral, possuir maior renda per capita, apresentar contagem de CD4 acima de 200 células/mm3, usar medicamentos antirretrovirais, ter conhecimento da infecção pelo HIV há mais tempo, possuir boa a excelente percepção do estado de saúde e maior nível de esperança e de autoestima auxiliam na melhoria da QVRS das mulheres a partir de 50 anos com HIV/aids. Conclui-se, portanto, que fatores sociodemográficos, clínicos e psicossociais influenciam a QVRS das mulheres investigadas. |
---|