Reconhecimento de emoções em cães domésticos (Canis familiaris): percepção de pistas faciais e auditivas na comunicação intra e interespecífica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Albuquerque, Natalia de Souza
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47132/tde-31032014-154312/
Resumo: Cães domésticos (Canis familiaris) são animais sociais que apresentam uma série de habilidades cognitivas para interagir com outros cães e com pessoas. Apesar de muitos estudos com cães terem investigado o uso de pistas comunicativas, a sensibilidade a estados de atenção, a capacidade de discriminação de faces e de vocalizações e até o processamento de expressões faciais, ainda não existem evidências de que esses animais são capazes de obter e utilizar simultaneamente informações emocionais de expressões faciais e auditivas. O reconhecimento de estados emocionais pode ser entendido como uma característica adaptativa, uma vez que possui um papel muito importante no contexto social e pode ser crucial para o estabelecimento e manutenção de relacionamentos em longo prazo. Interessados em investigar as habilidades de leitura e compreensão de emoções, utilizamos um paradigma de preferência de olhar para testar cães de família de várias raças em sua habilidade de reconhecer emoções de maneira cross-modal. Analisamos o comportamento visual espontâneo dos sujeitos frente a dois estímulos visuais (mesmo indivíduo, expressão facial diferente) e um som (vocalização) congruente a uma das duas imagens. Utilizamos estímulos caninos e humanos, de fêmeas e machos, com valência positiva e negativa, apresentados do lado esquerdo e do lado direito, e avaliamos seus possíveis efeitos sobre o desempenho dos animais. A variável utilizada para as análises foi o índice de congruência: a proporção de tempo de olhar para a imagem congruente em relação ao tempo total de olhar para as telas. Os cães demonstraram ser capazes de associar informações das faces (fotografias) e das vocalizações (playbacks) e integrá-las em uma única representação mental, independente da espécie, do sexo, da valência e do lado de apresentação do estímulo. O único efeito que encontramos foi o de espécie: apesar dos sujeitos apresentarem a habilidade de reconhecimento tanto para estímulos caninos quanto para humanos, o fizeram de maneira mais robusta para coespecíficos. Isto pode sugerir que a habilidade de reconhecer emoções de maneira cross-modal tenha surgido inicialmente para a comunicação intraespecífica, mas, tendo facilitado a convivência com seres humanos, se desenvolveu para tornar a comunicação interespecífica mais eficiente. O reconhecimento cross-modal pode ser entendido como um reconhecimento verdadeiro e sugere um nível de processamento cognitivo mais alto e mais complexo. Dessa maneira, esta pesquisa traz as primeiras evidências de que cães domésticos são capazes de compreender (perceber e extrair informações relevantes de) as emoções e não apenas discriminá-las. As interações entre um indivíduo e o mundo são multidimensionais e perceber emoções de outros cães e de pessoas pode ser altamente funcional