Elucidário de africanismos: resultados de um garimpo no arquivo pessoal de Nelson Coelho de Senna

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Almeida, Olivia Nogueira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-08062021-124711/
Resumo: O intelectual mineiro Nelson Coelho de Senna (1876-1952) é conhecido por sua atuação política como parlamentar e por sua pesquisa etnográfica sobre a contribuição dos índios e dos negros africanos na formação do povo e cultura brasileira. A mais extensa pesquisa - tanto no que se refere ao tamanho quanto ao tempo dedicado aos estudos - de Nelson de Senna sobre os afronegrismos é o Elucidário de africanismos: vocabulário de africanismos e afronegrismos usados no Brasil e na África colonial lusitana. Trata-se de documento, salvaguardado no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH), em parte manuscrito e em parte datiloscrito, datado de 1938, composto por verbetes que contemplam as letras de A a Z e apresentado em folhas avulsas. Entretanto, acredita-se que o autor dedicou muitos anos à escrita deste elucidário, pois em um de seus documentos Nelson de Senna deixou uma anotação manuscrita, dirigida a seus filhos, pedindo que seu trabalho, de mais de 50 anos de pesquisas e estudos sobre a língua portuguesa falada no Brasil, fosse editado e publicado. Há ainda no seu arquivo pessoal outros três documentos relativos ao Elucidário que testemunham o processo de elaboração do trabalho lexicográfico do autor: são notas, bibliografia das obras consultadas para a escrita do Elucidário e lista dos verbetes em ordem alfabética - um acervo que chega a mais de 2.500 páginas. Todas as páginas do Elucidário, sem exceção, contêm \"incidentes redacionais\", usuais de reescrita, como acréscimos de informação, arrependimentos sumários, correções de palavras e organização alfabética dos verbetes. Estudar a obra de Nelson de Senna na perspectiva crítico-genética, visando à organização material e formal do texto para publicação, nos leva a conhecer o processo de construção do texto na sua intimidade, com suas hesitações e afirmações. Além disso, o estudo da documentação constituída em torno da obra do autor permite, na perspectiva filológica e histórica, ampliar a dimensão do patrimônio linguístico preservado ao longo do processo editorial. A pesquisa de Nelson de Senna na área linguística é pouco conhecida em Minas Gerais, bem como no Brasil, e ainda são raros os estudos dedicados ao registro dos aportes culturais africanos ao acervo de Minas. Seus documentos guardados no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte continuam inéditos, em especial seus manuscritos sobre as heranças linguísticas afro-indígenas de Minas. Assim, o estudo do Elucidário de africanismos representa uma preciosa fonte de pesquisa para linguistas e certamente contribuirão para o reconhecimento da presença africana no léxico e na cultura brasileira, principalmente mineira.