Dramas do trabalho e da sobrevivência de domésticas-diaristas: servir, reagir e devir

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Lima, Leonardo Araujo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-31012023-125224/
Resumo: Os conflitos do trabalho são realidades permanentes nas práticas sociais humanas. Esta tese objetiva estudar essas realidades aplicada ao cotidiano de pessoas que atuam em condições de desvalorização social e que fazem de tudo para sobreviver. O contexto de vida e trabalho das trabalhadoras domésticas-diaristas é a base concreta a partir da qual os problemas de pesquisa revelaram os acontecimentos dramáticos dentro e fora dos serviços domésticos. As contribuições teóricas da pesquisa partem da Psicologia Social do Trabalho (PST) na perspectiva de compreender os processos organizativos do trabalho no cotidiano de práticas estabelecidas na tensão entre as determinações sociais e as maneiras de agir singulares de cada trabalhadora. Para interpretar como tais processos organizativos se constituem nos conflitos dramáticos da vida concreta, de forma que os fatos psicológicos enunciados ensejam sentidos que organizam a conduta dessas mulheres nos diferentes trabalhos que realizam, as bases teóricas se constroem na complementaridade conceitual entre a Psicologia Concreta de George Politzer e a Psicologia Histórico-Cultural de Lev Vigotski. A contextualização histórica dos problemas pesquisados se faz necessária para introduzir as modulações culturais presentes nas relações de trabalho que as trabalhadoras pesquisadas enfrentam em suas lutas pela sobrevivência digna. Tal conjuntura é definida pelos estudos temáticos nas áreas da História, da Sociologia e da Antropologia em torno das transformações na classe trabalhadora brasileira entre período escravocrata e o pós-abolicionista, com atenção mais cuidadosa nos conflitos em torno formação da formação da categoria das trabalhadoras domésticas. Neste sentido, estudos sociodemográficos, feministas e interseccionais ajudam a entender as configurações destes conflitos na contemporaneidade. Os procedimentos de pesquisa qualitativa se construíram por variados procedimentos para a aproximação com a realidade social. Utilizou-se desde imersões em campo com inspiração etnográfica, passando por encontros grupais e entrevistas individuais, até contatos via telefone, via whatsapp, visitas domiciliares e organização de eventos virtuais. Destaca-se no trabalho de campo as informações alcançadas a partir das visitas ao Centro do Trabalhador Autônomo (CTA). Como resultados, a pesquisa interpreta três enredos dramáticos, interdependentes e simultâneos, a partir dos quais podemos compreender a organização da conduta das domésticas-diaristas com o objetivo de sobrevivência, são eles: os dramas do servir, os dramas do reagir e os dramas do devir. A diferenciação destes enredos dramáticos dá-se pelas intencionalidades dos sentidos atribuídos às ações no trabalho ao, respectivamente, submeterem-se aos objetivos dos contratantes, ao reagirem às submissões pela valorização de si ou pela criação de variadas ocasiões geradoras de renda, e ao participarem de coletivos horizontalizados que influenciam as escolhas no trabalho. Conclui-se que o fato de elas lutarem pela sobrevivência em trabalhos inconstantes, vinculados aos serviços domésticos e à alternativas geradoras de renda, levam a entender que suas sobrevivências se fazem em trabalhos ocasionais nos quais os acontecimentos dramáticos se constituem por conflitos de intencionalidades e por sentidos ambíguos que organizam suas condutas no trabalho