Influência do ambiente e relações predador-presa em uma comunidade de mamíferos terrestres de médio e grande porte em Floresta Ombrófila Densa

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Alves, Maísa Ziviani
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11150/tde-01082016-161709/
Resumo: A destruição de florestas tropicais é intensa e pode levar à extinção de espécies sensíveis à fragmentação. Na Mata Atlântica, mamíferos com importantes funções no equilíbrio do ecossistema, como Panthera onca (onça-pintada), já estão ausentes em grande parte do bioma. Logo, é de extrema urgência compreender os processos que influenciam na permanência dessas espécies em uma área, para evitar futuras extinções locais. Assim, o objetivo geral deste estudo foi analisar as influências das características ambientais sobre a riqueza e ocorrência de mamíferos terrestres de médio e grande porte e as relações espaço-temporais entre o predador de topo, mesopredadores e presas em uma área de Mata Atlântica contíngua ao Parque Estadual da Serra do Mar com recente histórico de perturbação (Parque das Neblinas, Bertioga, SP). A coleta de dados foi realizada por armadilhamento fotográfico, durante 90 dias em 2013 e 2014, em 27 pontos amostrais, distantes 1 km entre si. As características ambientais avaliadas foram altitude, densidade de drenagem, precipitação média, temperatura média, número de palmitos (Euterpe edulis) e presença de trilhas naturais. Para analisar as influências do ambiente sobre a riqueza e ocorrência de espécies (com mais de três registros por ano) foram utilizados Modelos Lineares Generalizados. Para as demais análises, as espécies foram agrupadas em predador, mesopredadores, presas de grande, médio e pequeno porte. O período e sobreposição de atividade destes grupos foram estimados por meio da densidade de Kernel. A abundância foi estimada para mesopredadores e presas, através de modelos N-mixture. Para analisar a probabilidade de ocupação e detecção do predador de topo foram usados modelos de ocupação single-season. Foram amostrados 18 mamíferos terrestres de médio e grande porte, dos quais nove estão ameaçados de extinção ((Cabassous unicinctus (tatu-de-rabo-mole), Cuniculus paca (paca), Leopardus guttulus (gato-do-mato-pequeno), Leopardus pardalis (jaguatirica), Leopardus wiedii (gato-maracajá), Pecari tajacu (cateto), Puma concolor (onça-parda), Puma yagouaroundi (gato-mourisco) e Tapirus terrestris (anta)). A riqueza de espécies foi positivamente influenciada pelo maior volume de chuvas e a ocorrência da maioria das espécies (C. unicinctus, Dasypus novemcinctus (tatu-galinha), P. concolor, Sylvilagus brasiliensis (tapiti) e T. terrestris) foi influenciada pela densidade de drenagem em 2013. Em 2014, a riqueza não foi explicada por nenhuma característica e apenas quatro espécies sofreram influência de alguma característica ambiental. O predador de topo registrado foi catemeral, os mesopredadores e presas de grande porte mostraram-se mais noturnos e presas de médio e pequeno porte foram mais diurnas. Presas menores apresentaram a maior sobreposição total com o predador (Δ1=0,72). A influência sobre a probabilidade de ocupação da área pelo predador variou entre os anos, tendo sido pela abundância de presas de grande e pequeno porte, em 2013, e pela abundância de presas de médio porte, em 2014. A detecção foi influenciada apenas em 2014, de forma negativa pelas ocasiões. A partir destes resultados foi possível identificar as características ambientais que devem ser mantidas na área, como a disponibilidade de recursos hídricos e abundância de presas, a fim de conservar das espécies resilientes.