Efeitos da ativação de receptores serotoninérgicos dos tipos 5-HT1A e 5-HT2A/2C do complexo amigdalóide sobre a modulação de respostas defensivas associadas à ansiedade e ao pânico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2006
Autor(a) principal: Strauss, Christiana Villela de Andrade
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59134/tde-02022007-194941/
Resumo: Diferentes estudos mostram o envolvimento da serotonina na modulação de respostas comportamentais e autonômicas relacionadas à ansiedade. Enquanto estudos com modelos experimentais de conflito indicam que a serotonina no complexo amigdalóide aumenta a ansiedade, resultados obtidos com a estimulação elétrica da matéria cinzenta periquedutal sugerem um papel ansiolítico para este neurotransmissor. Tais evidências levaram Deakin e Graeff (1991) a propor que as diferentes vias serotoninérgicas que inervam o complexo amigdalóide e a matéria cinzenta periaquedutal seriam responsáveis pela modulação de comportamentos defensivos associados a dois diferentes transtornos de ansiedade, à ansiedade generalizada e ao pânico, respectivamente. De acordo com esta proposição, diante de estímulos que representam ameaças potenciais estas vias serotoninérgicas seriam ativadas gerando o aumento da liberação de serotonina em ambas as estruturas. No complexo amigdalóide, a serotonina facilitaria o comportamento de esquiva inibitória, enquanto que na matéria cinzenta periaquedutal inibiria a resposta de fuga. Para testar esta teoria em laboratório foi desenvolvido o teste do labirinto em T elevado, no qual é possível se avaliar, em um mesmo animal, respostas de esquiva inibitória e de fuga. De maneira geral, estudos com este modelo corroboram a proposição de Deakin e Graeff de que a transmissão serotoninérgica na matéria cinzenta periaquedutal inibe a resposta de fuga. No entanto, resultados conflitantes têm sido observados quanto ao papel da serotonina no complexo amigdalóide. Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo estender as investigações quanto ao envolvimento do complexo amigdalóide na modulação de respostas defensivas associadas à ansiedade e ao pânico. Assim, pretende-se avaliar o efeito da ativação de receptores serotoninérgicos dos tipos 5-HT1A e 5-HT2A/2C dos núcleos basolateral e medial do complexo amigdalóide sobre as respostas defensivas geradas nos testes do labirinto em T elevado e da transição claro-escuro. O comportamento de esquiva gerado neste último teste, assim como a esquiva inibitória medida no labirinto em T elevado, tem sido associado à ansiedade generalizada. Para tal, foram realizadas injeções bilaterais intra-núcleo basolateral ou intra-núcleo medial do agonista de receptores 5-HT1A 8-OH-DPAT ou do agonista preferencial de receptores 5-HT2A DOI. Os efeitos destes agonistas foram comparados aos causados pela administração nos mesmo núcleos do agonista benzodiazepínico midazolam. Quanto aos efeitos das drogas injetadas no núcleo basolateral, nossos resultados mostram que a injeção de midazolam, 8-OH-DPAT e DOI prejudicou a resposta de esquiva nos dois testes. Além disso, os agonistas serotoninérgicos produziram efeito do tipo panicolítico sobre a resposta de fuga. Já em relação aos efeitos da injeção das drogas no núcleo medial, somente o 8-OH-DPAT prejudicou a tarefa de esquiva. Nenhum dos agonistas serotoninérgicos alterarou a resposta de fuga, que foi inibida somente pela injeção de midazolam. Deste modo, nossos resultados indicam que núcleos amigdalóides distintos podem modular diferencialmente respostas defensivas associadas à ansiedade e ao pânico. Enquanto o sistema serotoninérgico do núcleo basolateral parece modular tanto a resposta de esquiva como a resposta de fuga, o sistema serotoninérgico do núcleo medial parece modular somente a resposta de esquiva. O conjunto dos nossos resultados não corrobora a proposição (Deakin e Graeff, 1991) quanto ao papel preponderante do complexo amigdalóide em modular comportamentos expressos em resposta aos perigos potenciais ou distais, como a esquiva inibitória, e quanto à proposição de que a serotonina nesta estrutura teria o papel de facilitar respostas de ansiedade. Desta forma, os resultados do presente estudo indicam que o papel da serotonina no complexo amigdalóide é mais complexo e abrangente do que o proposto na teoria original de Deakin e Graeff (1991).