A construção social do ensino de sociologia em São Paulo entre 2009-2018

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Silva, Josefa Alexandrina da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-15042019-155803/
Resumo: A presente pesquisa buscou compreender e analisar a constituição da Sociologia como disciplina escolar em face de sua entrada no currículo durante a vigência da Lei nº 11.684/08. Analisou as diferentes representações sociais e as disputas curriculares criadas em torno do seu significado na educação básica. A hipótese levantada foi a de que, entre os professores de Sociologia, ainda não havia se formado um conjunto de argumentos mais coesos sobre o valor formativo da disciplina e de sua finalidade na formação escolar. O estudo se inseriu no campo da história das disciplinas escolares e buscou conciliar as abordagens sócio histórica de Goodson e cultural de Chervel, articuladas com as categorias de análise propostas por Viñao Frago. A constituição da disciplina escolar foi concebida como uma construção social em que se buscou compreender as representações que os professores constroem sobre o seu ensino, constituindo, assim, o currículo real. Este estudo teve como base empírica a análise documental do currículo, bem como as entrevistas semiestruturadas realizadas com professores de Sociologia concursados na rede pública estadual que trabalham em escolas da região metropolitana da Grande São Paulo. O texto encontra-se estruturado em três partes, quais sejam: a primeira, apoiada na revisão bibliográfica de pesquisas sobre o ensino de Sociologia, buscou compreender e analisar os impasses da construção da sociologia como disciplina escolar a partir da análise dos dilemas dos processos de formação de professores, as representações criadas sobre o significado do seu ensino, como também as representações criadas sobre o trabalho docente; a segunda, que visou compreender a constituição do código disciplinar da Sociologia a partir de suas singularidades. Para isso partiu da análise de aspectos epistemológicos do conhecimento sociológico para discutir as relações entre o conhecimento acadêmico e a disciplina escolar. Também foi analisado as representações que os professores constroem em torno do conhecimento sociológico e seu ensino na educação básica. Ademais, examinou a condição peculiar da disciplina Sociologia no currículo do Estado de São Paulo, elaborado em torno de uma perspectiva de compreensão cognitivo-científica da realidade social e inserido em uma estrutura pautada no desenvolvimento de competências e de habilidades; e a terceira e última parte, na qual foram examinadas as relações entre o campo disciplinar da Sociologia a partir de seus docentes, a fim de compreender a forma como o ensino é construído. Analisou as trajetórias sociais dos professores entrevistados e suas formas de inserção na cultura escolar. Além disso, perscrutou as maneiras como os professores se apropriam e transcendem as prescrições curriculares, como também investigou suas formas de resistência coletiva. Assim, a pesquisa concluiu que, na construção social do ensino, os professores ressignificam a disciplina tomando como referência suas trajetórias de formação e a cultura escolar. Em que pese a existência de um currículo prescrito, o ensino da Sociologia se constituiu de maneira heterogênea, incorporando múltiplas leituras da realidade social.