Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2021 |
Autor(a) principal: |
Alves, Adriana Moreira |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22131/tde-22032022-150214/
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Resumo: |
A criminalidade feminina no Brasil é marcada por um viés histórico, em que o crime apresenta um olhar androcêntrico. O aumento de mulheres aprisionadas que são negras e com baixa escolaridade, contribui para reforçar o perfil da população prisional geral. Considerando que a experiência do cárcere pode interferir no comportamento da pessoa, em seus modos de pensar e sentir, contribuindo também, para o processo de adoecimento físico e mental dessas mulheres. Vários estudos prévios têm investigado os principais estressores das mulheres encarceradas, no entanto o presente estudo visa preencher uma lacuna do conhecimento no sentido de contextualizar tais estressores à trajetória de vida de mulheres egressas do sistema prisional. Desse modo, o objetivo desse estudo é analisar como estão contextualizados os principais estressores de mulheres egressas do sistema prisional às suas trajetórias de vida. Trata-se de um estudo descritivo transversal qualitativo, desenvolvido com mulheres que já foram privadas de liberdade e que são assistidas por um conselho vinculado ao município e que dá suporte a mulheres em tais condições. Para a coleta de dados foram utilizadas questões sobre as características sociodemográficas e a técnica de Entrevista Narrativa Etnográfica Clínica (CENI) proposta por Saint-Arnault (2017). A técnica foi empreendida com cinco mulheres que aceitaram participar da pesquisa. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo da qual emergiram três grandes temas: as causas e consequências do encarceramento, vulnerabilidades sociais pregressas agravadas pelo encarceramento e a resiliência, perspectivas futuras e apoiadores sociais. O relato das participantes foi marcado por inúmeras adversidades relacionadas à questão de gênero, raça, escolaridade, dificuldades na infância e à pobreza. O distanciamento dos filhos, o estigma, e a precarização do trabalho foram experiências impulsionadas pela condição do encarceramento. A partir dos resultados depreende-se que a condição de vulnerabilidade e a presença de intensos estressores antecediam a experiência do cárcere e foram agravados por ele. O período de reclusão foi descrito como permeado por sentimentos intensos de solidão e terror, no entanto na qualidade de egressas inúmeras palavras que dão nuances de um enfrentamento resiliente estão presentes nos discursos que representam, também, esperança, gratidão e superação. O presente estudo pode contribuir com a literatura acerca do tema e tem o caráter de ineditismo em relação ao uso da técnica CENI no Brasil e com mulheres egressas do sistema carcerário no cenário internacional. |