Detecção de células tumorais circulantes (CTCs) por isolamento baseado em tamanho e reação em cadeia da polimerase via transcriptase- reversa em tempo real (RT-qPCR) em cães com melanoma oral

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Nowosh, Victor
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10133/tde-28112022-113205/
Resumo: O câncer figura como uma relevante causa de morte em humanos e pequenos animais. Uma das neoplasias mais desafiadoras em ambas as situações é o melanoma, com um comportamento agressivo e alto índice de metástases. As similaridades existentes entre as neoplasias malignas em ambas as espécies despertam o interesse no uso de cães como modelos para estudos oncológicos em humanos. Atualmente, a medicina tem focado na medicina de precisão e, dentro dela, na biópsia líquida. Esta é uma ferramenta inovadora que detecta biomarcadores tumorais, incluindo células tumorais circulantes (CTCs). Ela apresenta potencial para prognóstico, diagnóstico e avaliação do tratamento. Apesar do grande interesse em oncologia humana, estudos de biópsia líquida são escassos em veterinária e focam mais em outros marcadores. Baseando-se nisso, o objetivo dessa tese foi aplicar dois métodos de detecção de CTCs em cães com melanoma oral. No primeiro capítulo, foi feita uma revisão bibliográfica dos temas “melanoma em cães” e “biópsia líquida ”. No segundo capítulo, foi testada a metodologia de enriquecimento por centrifugação por gradiente de densidade e de caracterização por PCR transcriptase-reversa em tempo real para os transcritos melan-A e tirosinase. O grupo de estudo analisado foi de 31 pacientes. Um estudo-piloto demonstrou boa sensibilidade da técnica, e 29/31 pacientes (93%) apresentaram resultados positivos, porém, os controles apontaram 43% de falsos-positivos. A eletroforese em gel de agarose sugeriu amplificações inespecíficas. Muitas dificuldades inerentes à técnica e particularidades da realidade veterinária podem ter contribuído para o resultado observado, e essa experiência é discutida em mais detalhes. No terceiro capítulo, foi testada a metodologia de microfiltração pelo método Isolation by Size of Tumor Cells (ISET), seguida pela caracterização imunocitoquímica com os marcadores melan-A, PNL2 e S100. O grupo de estudo analisado foi de 10 pacientes. CTCs foram encontradas e caracterizadas em 9/10 casos. A média de CTCs encontradas foi de 1,1 célula/mL de sangue. 3/10 casos foram positivos para melan-A, 3/10 para PNL2 e 8/10 para S100, demonstrando a heterogeneidade das CTCs. No entanto, amostras de neoplasias não melanocíticas também marcaram para S100, apontando baixa especificidade deste marcador. Um paciente com progressão tumoral rápida apresentou 18 células isoladas e microêmbolos tumorais, porém um paciente sem CTCs detectadas teve progressão similar, logo a ausência de CTCs não pode ser sempre correlacionada a um prognóstico melhor. A avaliação estatística demonstrou correlação significativa entre o número de CTCs e a presença de metástases linfonodais, sugerindo uma potencial capacidade de avaliação prognóstica. Conclui-se que metodologias já estabelecidas em humanos, mediante as devidas adaptações, permitem a detecção de CTCs em pacientes caninos com melanoma oral. A ISET apresentou uma boa capacidade de detectar as CTCs, e seus resultados demonstram uma possível aplicação para avaliação prognóstica do paciente. Ensaios clínicos em larga escala são desejados para que comprovar a sua utilidade clínica e para que tanto os cães quanto os humanos possam se beneficiar mais dessa técnica.