A questão de Molyneux em Diderot

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Adell, Edna Amaral de Andrade
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-19082011-102221/
Resumo: O objetivo principal da presente dissertação é mostrar a brilhante solução dada por Diderot à questão de Molyneux que foi proposta à Locke por Molyneux e tinha o seguinte enunciado: um cego de nascença que aprendeu a identificar uma esfera e um cubo pelo tato, quando curado e puder enxergar, poderá distinguir estes objetos apenas pela visão? Esta questão leva a discussões filosóficas a respeito de percepções táteis e visuais. Ampliando a abordagem do problema podemos questionar outros pontos, tais como: 1) O cego que recupera a visão pode transferir para o domínio visual o conhecimento adquirido pelo tato?; 2) Pode este homem perceber a tridimensionalidade do espaço?; 3) A percepção do espaço é inata ou adquirida? Diderot vai além desta investigação e questiona: 1) Como o cego recém-operado relataria suas novas sensações?; 2) Por esta investigação específica não seria possível descobrir como o indivíduo adquire seu conhecimento do mundo?; 3) Pode-se afirmar que a moral e a religião dependem da percepção?; 4) Existe alguma relação entre a percepção e a linguagem?; 5) No caso desta relação de fato existir, quais são suas implicações epistemológicas? As considerações de Diderot sobre o tema encontram-se na Carta sobre os cegos para o uso dos que veem (1749). Nesta obra, o filósofo francês mostra como as nossas ideias dependem dos nossos sentidos e conduz um estudo muito interessante sobre a origem do conhecimento e de que maneira a falta de um dos cinco sentidos modifica as noções adquiridas com relação aos conceitos de visão, moralidade e a existência de Deus. Diderot empenha-se em compreender como a abstração de certas percepções pode conduzir um indivíduo a determinados conceitos. Ele retoma várias vezes o problema de Molyneux para analisar como o cego de nascença pode representar o espaço e em todas suas afirmações encontra a solução no conhecimento da geometria. O texto possui três momentos fundamentais. No primeiro, Diderot interroga o cego de nascença Puiseaux e relata como esse cego vive em seu mundo e como ele define objetos dos quais não pode possuir nenhum conhecimento sensível devido à falta de visão. Na segunda parte do texto, Diderot descreve como o matemático Saunderson, cego desde um ano de idade, adquiriu conhecimentos pelo tato como se não fosse privado da visão. Em seguida, Diderot atribui a Saunderson, em um diálogo com o reverendo Holmes, um discurso no qual especula os conceitos de Deus, do bem e do mal em um indivíduo privado de um dos sentidos. Dessa forma, ele mostra como nossas ideias concernentes à existência de Deus e à moral não são absolutas e sim relativas à nossa condição física e à conformação de nossos órgãos. No terceiro momento da Carta, Diderot expõe o problema de Molyneux e reponde à questão, comparando suas considerações com as de Locke e Condillac.