Incompatibilidade de medicamentos intravenosos e fatores de risco em pacientes críticos: coorte histórica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Garcia, Julia Helena
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14102015-111302/
Resumo: Introdução: A incompatibilidade de medicamento resulta de um fenômeno físico-químico causado pela combinação de dois ou mais medicamentos na mesma solução ou misturados em um mesmo recipiente. Pode ser considerado um erro de medicação pelo potencial de comprometer negativamente o tratamento. Objetivo: Estimar a incidência de incompatibilidades potenciais de medicamentos administrados por via intravenosa e fatores associados em pacientes críticos. Método: Coorte retrospectiva conduzida com pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva e Semi-intensiva do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. A amostra foi composta por 110 indivíduos adultos hospitalizados, por pelo menos 72 horas, nessas unidades e submetidos à terapia intravenosa. A incompatibilidade potencial de medicamento foi analisada em duplas de medicamentos, utilizando-se a ferramenta Trissel´s TM 2 Compatibility IV, através da base de dados Micromedex 2.0®. A variável dependente foi a ocorrência de incompatibilidade. As variáveis independentes foram idade, sexo, procedência, tipo de internação, tempo de permanência, SAPSII, índice de Charlson, carga de trabalho de enfermagem, condição de alta, modo de infusão, número de medicamentos prescritos e de prescritores. Na análise dos dados utilizaram-se os testes qui-quadrado de Pearson, Exato de Fisher, Kruskal-Wallis, modelo de análise de variância ANOVA e regressão logística, com significância de p 0,05. Resultados: A incidência de incompatibilidade potencial de medicamentos foi de 2,7%. Foram prescritos 72 tipos diferentes de medicamentos que formaram 565 duplas, destas, 44,9%, foram compatíveis e 8,8%, incompatíveis. O aparecimento de precipitação (50,0%) foi a alteração físico-química mais identificada, após as combinações via dispositivo em Y. Na frequência de aparecimento, as duplas de medicamentos incompatíveis formadas por fenitoína (32,0%), diazepam (14,0%), midazolam (10,0%) e dobutamina (8,0%) foram as mais identificadas. Cerca de 70% dos pacientes receberam medicamentos prescritos a critério médico, principalmente durante o período noturno. Os fatores de riscos associados à incompatibilidade foram procedência (RC: 1,506; IC: 0,327 - 6,934); tempo de permanência prolongado nas unidades (RC: 1,175; IC: 1,058 - 1,306); maior número de medicamentos prescritos (RC: 1,395; IC: 1,091 -1,784) e carga elevada de trabalho de enfermagem (RC: 1,060; IC: 1,010 -1,113). Conclusão: O número de medicamentos prescritos aos pacientes críticos, em decorrência da gravidade clínica, aumenta exponencialmente a ocorrência de incompatibilidade e, os expõe a graves consequências. Embora haja outros estudos que identifiquem as incompatibilidades potenciais, observa-se, no cotidiano das unidades críticas, a repetição de rotinas que comprometem a segurança do paciente. A incompatibilidade poderá ser teoricamente diminuída, quando houver ênfase nas medidas preventivas e na contínua educação da equipe multidisciplinar.