Uso de um programa de mobilidade progressiva e tecnologia para aumento do nível de atividade física e seus benefícios no sistema respiratório, muscular e funcionalidade de pacientes em UTI: um ensaio clínico randomizado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Nogueira, Debora Stripari Schujmann
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-12082021-131835/
Resumo: Evidências mostram que o maior resultado negativo para pacientes que necessitam de internação na unidade de terapia intensiva (UTI) a longo prazo é o impacto físico com declínio funcional. Durante a internação hospitalar, os pacientes podem passar por um período de inatividade que está relacionado a alterações em diversos sistemas do corpo que podem justificar esses prejuízos. Assim, tornam-se necessárias intervenções que proporcionem um processo de reabilitação que minimize os fatores negativos associados a esse período. O objetivo desse estudo foi verificar o impacto do uso de um programa de reabilitação precoce e progressivo na funcionalidade dos pacientes no momento da alta da UTI. Como objetivo secundário, comparar o nível de atividade durante a internação entre os pacientes e qual o impacto para o sistema respiratório e muscular, bem como nos dias de internação. Foi um estudo do tipo ensaio clínico controlado aleatorizado, com avaliador cego. Os critérios de inclusão foram adultos internados na UTI com Índice de Barthel prévio a internação de 100 pontos e sem contraindicação para mobilização. Os critérios de exclusão foram pacientes com diagnósticos neurológicos, amputados e aqueles que desenvolveram comprometimento cognitivo com incapacidade de compreender comandos. O grupo intervenção do programa de exercícios (GP) participou de um programa de reabilitação precoce e progressivo com cinco fases, variando de terapia passiva a deambulação e subir escadas, cinco vezes por semana, durante toda a internação na UTI. O grupo controle (GC) foi submetido ao tratamento com cuidados usuais e convencionais, sem rotina de exercícios pré-estabelecida. O desfecho primário foi a funcionalidade dos pacientes na alta da UTI. Os desfechos secundários foram a função pulmonar, através das pressões respiratórias e espirometria, e função muscular. Uma análise comparativa entre o GC e o GP foi realizada para todas as variáveis de desfecho e uma análise de associação foi feita para quantificar a associação das variáveis com o desfecho primário. Foram analisados 99 pacientes: 49 no GC e 50 no GP. Foi encontrado um melhor estado funcional no GP e mais pacientes funcionalmente independentes após a alta, se comparado ao GC (96% vs. 44%, respectivamente; p < 0,001). Os testes sentar e levantar (GP 8 ± 3 vs GC 5 ± 3; p < 0,001) e teste marcha estacionária de 2 minutos (GP 53 ± 22 vs GC 25 ± 21; p < 0,001) também variaram entre os grupos com melhor desempenho no GP. Para as variáveis respiratórias, o GP apresentou melhor desempenho no teste de VVM (45 ± 19 vs. 55 ± 25, respectivamente; p = 0,03). O GP teve menos dias de internação na UTI. As outras variáveis não mostraram diferença. A funcionalidade foi associada a presença do protocolo e o nível de atividade. Um programa de reabilitação precoce e progressivo é capaz de melhorar a funcionalidade na alta da UTI para pacientes previamente independentes. Os outros benefícios do programa foram melhor desempenho nos testes de mobilidade e melhor desempenho na VVM