O Ego-Allo Switching Task na avaliação da memória visuoespacial em idosos brasileiros: adaptação e estudos psicométricos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Cetraro, Victoria Sciascia
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59134/tde-16022024-173023/
Resumo: Introdução: Duas estratégias de orientação espacial, nomeadamente egocêntrica e alocêntrica, desempenham um papel crucial na nossa compreensão do espaço físico e na capacidade de localização. Dificuldades na capacidade de troca, \"switching\", entre essas estratégias podem indicar o avanço de Transtornos Neurocognitivos, fornecendo pistas valiosas para a detecção precoce da Doença de Alzheimer. Atualmente, no Brasil, não existem ferramentas neuropsicológicas específicas para avaliar essa habilidade cerebral. Objetivo: Realizar a adaptação transcultural da tarefa \"Ego-Allo-Switching\" (EAS). Métodos: 61 participantes, entre 60 e 85 anos, foram divididos em três grupos: Cognitivamente Saudáveis (CS; n=21), Transtorno Neurocognitivo Leve (TNL; n=20) e Transtorno Neurocognitivo Maior (TNM; n=20). Dois examinadores utilizaram a Clinical Dementia Rating (CDR) para assegurar a classificação dos grupos. O EAS foi aplicado a todos os participantes. Diante da falta de familiaridade dos idosos brasileiros com formas geométricas específicas, desenvolvemos uma versão adaptada que enfatiza o reconhecimento de formas em vez da recordação livre. O estudo contou com as fases de tradução-retrotradução, busca por evidências de precisão e validação (discriminativa, concorrente, convergente e discriminante) e avaliação das influências demográficas. No estudo de precisão, os participantes saudáveis responderam ao EAS em esquema de teste-reteste, que ocorreu em um espaçamento de 1 a 2 semanas. Na validação discriminativa, os grupos CS, TNL e TNM tiveram os seus desempenhos no EAS comparados. Na validação concorrente, convergente e discriminante, o grupo CS teve seu desempenho no EAS comparado com os seus resultados em testes neuropsicológicos conhecidos. Por último, buscou-se correlações entre variáveis demográficas e os resultados no EAS. Resultados: Os resultados globais do EAS demonstraram alta consistência na comparação teste-reteste (ICCs = 0,84). A tarefa diferenciou efetivamente os idosos CS de idosos clínicos, especialmente daqueles com TNM. O estudo de validade concorrente, indicou correlação significativa entre a EAS e a tarefa de evocação tardia do Teste das Figuras Complexas de Rey. Ademais, a EAS provou validade convergente com os subtestes de Vocabulário e Raciocínio Matricial da Wechsler Abbreviated Scale of Intelligence (WASI) e com o Rey Auditory Verbal Learning Test (RAVLT). Validade discriminante foi encontrada com o Five Digit Test e o subteste Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência para Adultos (WAIS-III). Por fim, a EAS apontou correlações significativas com as variáveis demográficas de idade e escolaridade. Conclusão: O EAS revelou confiabilidade temporal e mostrou-se promissor para identificar precocemente mudanças na orientação espacial associadas à Doença de Alzheimer. Este trabalho também contribuiu para preencher a lacuna existente em instrumentos neuropsicológicos voltados especificamente à detecção da habilidade de switching.