Processamento auditivo comportamental e eletrofisiológico em crianças e adolescentes expostos ao álcool na gestação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Simões, Humberto de Oliveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17148/tde-04102021-165500/
Resumo: Objetivo: Comparar o desempenho do processamento auditivo comportamental e eletrofisiológico para avaliar o efeito do treinamento auditivo formal (TAF) em crianças e adolescentes com exposição pré-natal ao álcool. Método: Estudo clínico comparativo, do tipo ensaio clínico, aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CAAE: 79237317.6.0000.5440). A amostra total de sujeitos da pesquisa foi composta por 13 crianças e adolescentes, de ambos os sexos, com idades entre sete e 17 anos, com um grupo de expostos ao álcool na gestação (G1= 7) e outro de crianças com desenvolvimento típico e sem exposição gestacional ao álcool (G0= 6). A avaliação comportamental ocorreu com a aplicação do questionário Fisher\'s auditory problems checklist for auditory processing evaluation (Fisher) e pela bateria de testes comportamentais: teste de fala com ruído (TFR), dicótico de dígitos (TDD), padrões de duração (TPD) e detecção de intervalos aleatórios (do inglês, RDGT). A avaliação eletrofisiológica do processamento auditivo foi realizada por meio das componentes N2 e P3 do Potencial Evocado Auditivo Relacionado a Eventos (PEARE), com estímulos verbais e não verbal (1k e 2kHz; /BA/ e /DA/; /BA/ e /GA). O estudo seguiu o delineamento de avaliação pré-intervenção (M1), intervenção terapêutica de TAF e duas reavaliações, 30 (M2) e 180 dias (M3) após o TAF. Resultados: Para o questionário Fisher o M1 apresentou maiores escores, sugerindo maiores dificuldades, às categorias de audição, atenção, memória e escore total; entre os grupos o G1 apresentou escores maiores em relação ao G0 para atenção, desempenho escolar e escore total; na comparação intra-grupo nos diferentes momentos de avaliação, apenas o G1 apresentou valores distintos entre M1 e M2, para a categoria escore total. Nos testes comportamentais, houve diferença nos escores para os testes TFR e TDD, sendo os valores no M1 inferiores ao M2 e M3; na análise intra-grupo apenas o G1 apresentou escores distintos entre os momentos para o TDD; o G1 apresentou escores piores que o G0 para os testes RGDT, TPD, TFR e TDD em todos os três momentos. No PEARE, a latência de N2 foi mais prolongada em G1 que G0, em todos os momentos e em todos os estímulos; em relação ao momento da avaliação o M1 apresentou valores menores comparados ao M2 e M3, sem efeito grupo; na análise momento e tipo de estímulo houve diferença para 2kHz entre M1 e M2 e /GA/ para M1 em relação a M2 e M3. para a latência de P3 apenas houve uma tendência a significância na comparação entre os grupos, sendo G1 com valores maiores. Para a amplitude N2-P3 foi constatada diferença em função dos diferentes momentos de avaliação, mas sem influência de grupo; houve diferença das amplitudes em função do tipo de estímulo, sendo a mesma apenas para o G1, entre 2kHz e /GA/. Conclusão: O questionário Fischer apontou evidente e significativa evolução do comportamento auditivo. As medidas comportamentais diferenciaram os grupos e os momentos de avaliação, bem como a interação entre os grupos e os momentos. As medidas eletrofisiológicas foram mais sensíveis na identificação de variáveis intra-grupo (amplitude N2-P3) e tipo de estímulo vs. momento de avaliação (latência N2). As diferenças na comparação após o TAF, aconteceram principalmente após seis meses do acompanhamento.