Desenvolvimento e aplicação de método semiquantitativo do esqueleto total em exames de 18F-NaF PET/CT: estabelecimento de valores normais em pacientes não metastáticos e avaliação prognóstica em pacientes com metástases ósseas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Marin, José Flávio Gomes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5151/tde-19062023-124316/
Resumo: O 18F-Fluoreto (18F-NaF) é um radiofármaco emissor de pósitrons com alta afinidade óssea e clareamento plasmático rápido. O surgimento das tomografias por emissão de pósitrons na década de 80, a maior disponibilidade de equipamentos capazes de produzir o 18F-NaF e as frequentes crises na produção do Tecnécio-99m (99mTc), aumentaram o interesse na realização de exames utilizando 18F-NaF em equipamentos de tomografia por emissão de pósitrons acoplada à tomografia computadorizada (PET/CT) como alternativa à cintilografia óssea com 99mTc- metilenodifosfonato (99mTc-MDP) em gama câmaras. Estudos têm demonstrado que a PET/CT 18F-NaF tem maior acurácia do que a cintilografia realizada com 99mTc-MDP em equipamento de tomografia por emissão de fóton único (SPECT), mesmo com a associação desta à tomografia computadorizada (SPECT/CT), para a detecção de lesões benignas e malignas do esqueleto. Além da maior acurácia diagnóstica, a PET/CT oferece a possibilidade de obtenção de medidas semiquantitativas lesionais e do corpo todo com maior facilidade e reprodutibilidade. Apesar de algumas destas medidas serem rotineiramente empregadas na interpretação dos exames de PET/CT com outros radiofármacos, principalmente a 18F-Fluorodesoxiglicose (18F-FDG), o seu uso na PET/CT 18F-NaF ainda é incipiente, possivelmente pelo número limitado de estudos demonstrando o seu impacto clínico. Neste contexto, a alta especificidade óssea do 18F-NaF e as melhores possibilidades de análise semiquantitativa da PET/CT permitem avaliação mais objetiva de lesões ósseas isoladas e do esqueleto como um compartimento funcional, possibilitando estimativas objetivas e reprodutíveis dos valores normais de remodelação óssea fisiológica global, bem como da carga de doença óssea metastática e seu impacto prognóstico. Objetivos: Desenvolver e aplicar método semiquantitativo do esqueleto total nos exames de 18F-NaF PET/CT, com estabelecimento de valores normais, correlação com níveis de antígeno prostático específico (PSA) em pacientes com câncer de próstata e associação prognóstico em pacientes metastáticos com câncer de mama e próstata. Método: Foram analisados 1075 exames de PET/CT 18F-NaF de 744 pacientes oncológicos, realizados entre 2011 e 2018 no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A presença de metástases ósseas foi definida pela análise visual de dois observadores experientes, dividindo os exames em não metastáticos e metastáticos, quantificados separadamente. Foi utilizado o software AMIDE para gerar um volume de interesse (VOI) do esqueleto a partir do componente da tomografia computadorizada do exame de PET/CT e posteriormente aplicado automaticamente no componente PET, de onde foram extraídos os parâmetros semiquantitativos, principalmente o valor padronizado de captação (SUV) médio do esqueleto, normalizado para o peso corpóreo (BW) ou para o volume do esqueleto (BV). 163 pacientes foram incluídos no grupo de exames não metastáticos e tiveram estabelecidos valores normais do esqueleto. 893 exames de 591 pacientes com câncer de próstata ou mama foram incluídos no grupo de pacientes metastáticos e tiveram os valores de carga tumoral e sua variação relacionados ao prognóstico e ao nível de PSA no grupo de pacientes com câncer de próstata. Resultados: O método proposto de análise semiquantitativa do esqueleto se mostrou factível. Os valores normais encontrados de SUV médio BW e BV foram 2,6±0,52 e 0,22±0,04 respectivamente, com menor variabilidade do SUV médio BV (p = 0,03). Entre os exames metastáticos, o SUV médio do esqueleto > 3,13 (p = 0,01) nos pacientes com câncer de mama e > 3,25 (p < 0,001) nos pacientes com câncer de próstata demonstrou associação ao prognóstico na análise multivariada. A correlação do nível de PSA com SUV médio BW e BV do esqueleto foi de 0,421 e 0,489 respectivamente (p < 0,001). A evolução da carga tumoral demonstrou associação ao prognóstico quando houve um aumento ou redução acima de 20% (p = 0,04 e p = 0,03, respectivamente) na coorte toda ou redução acima de 20% na coorte de pacientes com câncer de mama (p = 0,04), apenas para o SUV BV. Conclusão: O método semiquantitativo do esqueleto total utilizando o PET/CT 18F-NaF foi proposto e testado em pacientes oncológicos, sendo obtidos valores normais nos pacientes não metastáticos. Os parâmetros semiquantitativos derivados desse método foram associados ao prognóstico em pacientes metastáticos com câncer de mama e próstata, demonstraram correlação com os níveis de PSA em pacientes com metástases ósseas de câncer de próstata e tiveram sua variação correlacionada ao prognóstico em pacientes com câncer de mama e próstata