O uso de plantas medicinais e a qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes com câncer

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Pereira, Alexandre Rocha Alves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-18082022-094229/
Resumo: As práticas integrativas têm crescido em importância como terapia complementar ao tratamento do câncer, as plantas medicinais despontam como uma das modalidades mais aceitas e propagadas em todo mundo, seu uso tradicional e a transmissão oral dos conhecimentos a respeito de seus fins terapêuticos sustentam sua utilização, assim como inúmeros estudos que confirmam a sua eficácia e segurança. Sua utilização por pacientes com câncer é um fenômeno que vem sendo evidenciado. Objetivo: correlacionar a utilização das plantas medicinais por pacientes com câncer e a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). Método: estudo descritivo e correlacional, quantitativo e de corte transversal, com uma amostra de conveniência de 131 pacientes em tratamento quimioterápico. Foram utilizados para a coleta de dados um questionário semiestruturado com questões sociodemográficas e relativas ao uso de plantas medicinais e o instrumento EORTC QLQ-C30 para avaliar a QVRS. Foi testada a consistência interna do instrumento com a medida Alfa de Cronbach=0,867 evidenciando que o instrumento é adequado para essa população. Foi realizado o teste qui-quadrado para verificar possíveis associações entre as variáveis. Para comparação das variáveis quantitativas, entre os Grupos (G1 x G2), foi utilizado o teste t de Student. O nível de significância adotado nos testes foi de 5%, ou seja, foram consideradas significativas as comparações cujo p<0,05. Resultados: os dados sociodemográficos mostraram prevalência do gênero feminino na amostra total, 54,1%; a faixa etária dos 51 a 60 anos foi a maioria dos pacientes (26,7%), seguido pela faixa etária dos 61 a 70 anos (24,4%). O nível fundamental foi referido por 51,9%, seguido pelo ensino médio 22,9%; a renda familiar de 1 salário-mínimo teve mais citações (36,6%). Os pacientes que usavam plantas medicinais eram 71,5% e 38,5% as obtinham em quintais ou as cultivava, as plantas mais citadas foram camomila, graviola, hortelã, ora-pro-nóbis e erva-cidreira. Na avaliação da QVRS com o EORTC QLQ-C30 foi feita a comparação entre os grupos, G1 (usam plantas) e G2 (não usam plantas), em todas as variáveis G1 apresentou melhores escores na comparação com G2, as maiores diferenças entre as médias foram na Função Emocional (p=0,0174) e na Função Social (p=0,0463). Na escala de sintomas as maiores diferenças foram em relação à Dor e Náusea e Vômitos, sem significância estatística na diferença entre as médias. Em todas as outras variáveis G1 apresentou melhores escores na comparação com G2. Conclusão: Os resultados apresentados mostraram o perfil sociodemográfico e as características inerentes ao consumo de plantas medicinais por pacientes com câncer, possibilitaram relacionar a QVRS desses pacientes à utilização dessa forma de medicina complementar e alternativa. Os dados encontrados evidenciaram que o Grupo G1 que utilizavam as plantas medicinais apresentaram melhores escores de QVRS nas funções emocional e social com diferença estatisticamente significante, em relação as escalas de sintomas o G1 apresentou menos sintoma de dor, náuseas e vômitos, porém sem diferença significativa, sugerindo que o uso das plantas medicinais pode auxiliar na melhora da QVRS.