Impacto da derivação urinária na recuperação da função renal, instituição de nova linha de tratamento antineoplásico e sobrevida dos pacientes portadores de neoplasia avançada com obstrução ureteral maligna

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Silva, Marcelo Cartapatti da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17137/tde-08022024-151635/
Resumo: Introdução: A obstrução ureteral de causa maligna geralmente está associada a mau prognóstico da doença. Embora a abordagem imediata nos casos agudos pareça intuitiva para muitos, o manejo dos casos de obstrução insidiosa se apresenta de forma muito mais desafiadora, uma vez que devem ser levados em consideração aspectos clínicos e éticos relacionados ao prognóstico da doença, às complicações relacionadas ao procedimento, à qualidade de vida e o próprio desejo do paciente. Objetivos: Descrever a experiência de três serviços de urologia no tratamento da obstrução ureteral maligna por meio da derivação urinária interna (por cateter ureteral) ou externa (nefrostomia percutânea) e seu impacto na melhora da função renal, na indicação de nova linha terapêutica antineoplásica e na sobrevida dos pacientes. Pacientes e Métodos: Trata-se de estudo retrospectivo com coleta de dados de pacientes portadores de tumores avançados associados à obstrução ureteral maligna submetidos à derivação urinária interna (cateter ureteral) ou externa (nefrostomia percutânea) tratados nos serviços de Uro-oncologia do Hospital do Amor de Barretos da Fundação Pio XII; no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo e do Hospital de Base da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. Resultados: Foram analisados 420 pacientes em tempo de seguimento médio de 20,3 meses, sendo 250 mulheres e 170 homens (59,5% e 40,5%, respectivamente). A idade média foi de 58,70 anos (18 a 90 anos). Desses, 128 apresentaram doença metastática (30,5%) e 292, doença localmente avançada (69,5%). Em relação aos sítios neoplásicos primários, câncer de colo uterino e câncer de bexiga foram os mais prevalentes com 36,2% e 18,6% dos casos, respectivamente. O principal motivo da suspeita diagnóstica foi a insuficiência renal aguda, em 35,7% dos casos (150 pacientes). O implante de cateter duplo J foi a terapia de escolha em 423 unidades renais (223 à direita; 200 à esquerda), correspondendo a 69,6% dos casos, já a nefrostomia percutânea foi realizada em 176 unidades renais (91 à direita e 85 à esquerda), 28,9% dos casos, com 8,3% de complicações no total. Os valores médios de creatinina avaliados no momento da derivação, após 30 dias e a mais atual foram 3,45 mg/dl, 1,84 mg/dl e 2,59 mg/dl, respectivamente. Fatores como idade, tipos de tumores urológicos ou não urológicos, presença de doença metastática ao diagnóstico não tiveram impacto significativo na função renal. Já os pacientes do sexo masculino com hidronefrose bilateral submetidos à terapia antineoplásica com intenção paliativa apresentaram valores de creatinina significativamente superiores. Trezentos pacientes receberam algum tratamento antineoplásico (71,4%), sendo 195 pacientes submetidos a tratamentos paliativos e 105 receberam tratamentos com intuito curativo (65 e 35% dos pacientes tratados). Duzentos e sessenta e cinco pacientes evoluíram a óbito (64%), com tempo médio de 251,87 dias após o procedimento. A sobrevida global média foi de 610,76 dias (IC95% 472,27 - 749,26). Neoplasia prostática e de colo uterino apresentaram as maiores sobrevidas (573,13 e 549,28 dias, respectivamente); bexiga e colorretal, os piores (480,25 e 370,53 dias respectivamente). Conclusões: A derivação urinária promove melhora da função renal abrindo uma janela terapêutica para nova linha de terapia antineoplásica, muitas vezes com cura da doença e ganho de sobrevida.