Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Moreira, Francielly |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-10102023-093556/
|
Resumo: |
A mucosa intestinal está em contato próximo com uma população diversa de comensais, que proporcionam uma digestão eficiente dos alimentos e contribuem para a homeostase intestinal. Leucócitos especializados residem na mucosa intestinal e redes reguladoras garantem a prevenção da inflamação desencadeada por antígenos inócuos e proteção contra agentes patogênicos. A quebra dessas respostas canônicas de barreira podem resultar no desenvolvimento de distúrbios inflamatórios. Nesse contexto, nosso grupo demonstrou que um único episódio de infecção gastrointestinal aguda por Yersinia pseudotuberculosis (YP) em camundongos foi capaz de induzir um fenômeno denominado cicatriz imunológica, que pode levar à falência da imunidade da mucosa a longo prazo. Esse processo começa com danos irreversíveis aos vasos linfáticos intestinais, o que compromete a migração de células dendríticas para os linfonodos de drenagem e impacta a indução de células T intestinais efetoras e reguladoras. Este fenômeno acarreta em uma falha permanente na manutenção da compartimentalização da microbiota e no remodelamento do sistema imunológico associado ao mesentério, marcado pela presença de infiltrado inflamatório Tipo 1 e perda de células homeostáticas do Tipo 2, incluindo linfócitos Th2, células linfóides inatas tipo 2, macrófagos M2 e eosinófilos. Nos últimos anos, nosso grupo tem estudado possíveis estratégias de reversão do remodelamento do mesentério e reconstituição do componente imunológico do tipo 2 no mesentério e intestino. Entretanto não obtivemos sucesso, indicando uma resistência à montagem de novas respostas do tipo 2 nestes tecidos. Em paralelo, e de forma relevante para o presente trabalho, dados anteriores do nosso grupo mostraram que a sinalização pela acetilcolina controla a produção de IL-33 no mesentério, e também dos componentes do tipo 2, de forma que a ablação da sinalização da acetilcolina aumentou a produção local de IL-33 e, consequentemente, todos os subtipos celulares do tipo 2. Nosso objetivo neste trabalho foi estudar o impacto da infecção intestinal aguda sobre o tônus imunológico (tipo 2) no mesentério e mucosas, assim como os mecanismos envolvidos neste fenômeno. Inicialmente,em uma tentativa de restaurar a imunidade do tipo 2 no mesentério e intestino, animais C57BL/6 previamente infectados por YP e naives, foram imunizados com ovalbumina (Ova) + alum seguido do desafio oral com Ova. Nos animais infectados, este método se mostrou eficaz em promover a resposta do tipo 2 sistêmica, marcada pela presença de anticorpos IgG1 Ova-específicos no soro. Contudo, não houve a recuperação da resposta local do tipo 2 no mesentério e intestino. Para verificar se a infecção comprometeu esta resposta em outros tecidos de mucosa como a pulmonar, utilizamos um modelo de asma induzido por via intranasal. Na análise histológica notamos infiltrado inflamatório adjacente às vias aéreas com a presença de eosinófilos, sendo capaz de desenvolver respostas Th2 mesmo após a infecção. Em uma outra abordagem, verificamos se a infecção por YP poderia promover o aumento da liberação de acetilcolina e o consequente bloqueio da liberação de IL-33, diminuindo o tônus do tipo 2 no mesentério. As imagens de microscopia confocal de animais ChAT-Reporter infectados com YP, mostram a perda das fibras ChAT+ associadas à presença de FALCs e também uma co-localização entre os leucócitos mesentéricos e expressão de ChAT. Além disso notamos uma diminuição da expressão de ST2 em células linfóides do tipo 2 através da citometria de fluxo. Em animais IL-33gfp infectados, uma redução da liberação de IL-33 pelo epitélio intestinal foi observada. Esses dados sugerem que, após a infecção por YP, há uma liberação local de ACh pelos leucócitos dos FALCs do mesentério bloqueando o retorno do tônus tipo 2, associado à uma falha na expressão de ST2, e um prejuízo na produção de IL-33 pelas células epiteliais. No entanto, esses efeitos são compartimentalizados, ocorrendo localmente, mas não de modo sistêmico em outros tecidos de mucosa. |