Análise de polimorfismos gênicos do Fator H do Sistema Complemento e sua influência na susceptibilidade à leptospirose

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Lores, Lazara Elena Santiesteban
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-05052022-153435/
Resumo: A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias patogênicas do gênero Leptospira , constituindo um importante problema de saúde pública principalmente em países em desenvolvimento com clima ameno e tropical e com condições inadequadas de saneamento básico. O sistema imune inato constitui a primeira linha de defesa do hospedeiro na infecção causada por leptospiras, particularmente o Sistema Complemento (SC). Sabe-se que leptospiras não patogênicas morrem rapidamente, quando incubadas in vitro com soro humano normal como fonte do SC, enquanto as leptospiras patogênicas sobrevivem por longos períodos de tempo, possibilitando a disseminação pelo hospedeiro e o estabelecimento da infecção. Este fato deve-se em parte à habilidade das espécies patogênicas de interagir com proteínas reguladoras do SC como o Fator H (FH). Com o objetivo de identificar polimorfismos gênicos no FH que possam estar associados com a leptospirose ou com as manifestações clínicas da doença, neste estudo foram analisadas 184 amostras de pacientes e 162 amostras de indivíduos controle. Foram sequenciados os éxons 7, 9, 21, 22 e 23 do gene CFH que codificam para os domínios SCR 5, 7, 18, 19 e 20, respectivamente; que participam da interação com proteínas da superfície da Leptospira. Foram identificados 22 polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), incluindo quatro variantes intrônicas e quatro variantes 3UTR. Dentre os polimorfismos identificados nenhum teve associação significativa com a leptospirose na análise caso-controle. Porém, na análise de associação com as manifestações clínicas nos pacientes com leptospirose foi observada uma associação significativa da variante rs15809 C &#8594G com a prostração (p=0,02032; OR 0,21; 95%CI 0,05-0,97), enquanto a variante intrônica rs34815383 T &#8594C teve associação significativa com a síndrome renal (p=0,001439; OR 5,3; 95%CI 1,8-15,57). Por outro lado, as variantes rs1061147 A &#8594C e rs1061170 T &#8594C tiveram associação significativa com a febre (p=0,04611; OR 0,23; 95%CI 0,06-0,89). Além disso, as variantes rs55679475 T &#8594C, rs55771831 G &#8594C e rs62625015 C &#8594G apresentaram associação significativa com o sintoma de dor na panturrilha (p=0,01341; OR 0,43; 95%CI 0,22-0,85). Na análise funcional, os polimorfismos identificados nos SCRs 7 e 18 não alteraram a interação do FH com Leptospira interrogans, nem com a linhagem celular humana HepG2. Este constitui o primeiro estudo que analisa a distribuição de polimorfismos do gene CFH na população brasileira e argentina. Os resultados deste trabalho contribuem para definir marcadores genéticos de susceptibilidade à leptospirose, possibilitando a identificação de populações em risco, assim como indivíduos com maior probabilidade de desenvolver quadros mais graves dessa doença.