Construção social dos mercados em Belém do Pará : análise de instituições de lojas que comercializam alimentos orgânicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Sacramento, José Maria Cardoso
Orientador(a): Schultz, Glauco
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/201146
Resumo: Nas grandes cidades assiste-se à emergência de opções tidas como alternativas ao varejo supermercadista responsável por boa parte do abastecimento cada vez mais composto de alimentos industrializados, muitas vezes contaminados por agrotóxicos e pouco nutritivos. As alternativas no varejo se distinguem por oferecer alimentos de melhor qualidade em diferentes aspectos, existindo entre as opções em Belém/PA as lojas que comercializam alimentos orgânicos, que foram eleitas como objeto desta pesquisa. O objetivo deste estudo foi analisar e interpretar o processo de construção social do mercado a partir das lojas que comercializam alimentos orgânicos em Belém/PA, visando compreender principalmente as institucionalidades que ancoram as regularidades relacionadas à escolha deste seguimento do varejo frente às opções existentes que também comercializam alimentos orgânicos. Os resultados da pesquisa apontam que o processo de construção de instituições se mostram como um fenômeno muito variado, principalmente por combinar objetivos distintos para a concepção das lojas e consequentemente para a formação de um conjunto de relações para aquisição e venda de alimentos. Foram identificadas a existência de vinte e duas lojas que comercializam alimentos orgânicos, que compuseram sete tipos ideais de lojas, sendo eles: “Dogmática”, “Franquia”, “Atacarejo”, “Restaurante e Loja”, “Centro de Cultura Alimentar”, “Organização de Agricultores” e “Nicho”, este último o mais numeroso. A pesquisa, de caráter predominantemente qualitativo, seguindo como principal referencial teórico o neoinstitucionalismo sociológico, demonstra que os mecanismos de institucionalização que prevalecem no processo de legitimação das lojas são principalmente de caráter normativo e cultural-cognitivo, e visam atender a expectativa de uma parcela dos consumidores de alimentos geralmente de mais alta renda, moradores dos bairros centrais da cidade e com restrições alimentares diversas, através de um acolhimento personalizado e mais cuidadoso do que o oferecido pelos supermercados. Conclui-se que o contexto institucional em que as lojas estão imersas dificultam a legitimação por mecanismos regulativos, já que o Estado pouco faz para apoiar esse segmento do varejo em comparação ao supermercadista.