Capacidade funcional e qualidade de vida de indivíduos idosos de Porto Alegre

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2007
Autor(a) principal: Caneppele, Maria Cristina Garcia de Lima
Orientador(a): Fuchs, Sandra Cristina Pereira Costa
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/13580
Resumo: Fundamento: O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial. O envelhecimento aumenta o risco para a ocorrência de doenças crônicas que resultam em graus variáveis de perda da independência funcional. A elevação da idade também pode acarretar a redução da independência funcional, tornando os idosos dependentes para a realização de atividades da vida diária (AVDs) e atividades instrumentais da vida diária (AIVDs). Objetivos: O objetivo desse estudo foi avaliar a capacidade funcional, determinando a prevalência de independência funcional e as características associadas em indivíduos idosos, em uma amostra representativa de Porto Alegre, RS, bem como identificar sua associação com qualidade de vida. Essa pesquisa é um dos braços do estudo da Síndrome de Obesidade e Fatores de Risco – SOFT. Participantes e Métodos: Nesse estudo transversal, de base populacional, de indivíduos idosos com 60 e 90 anos, selecionados através de amostragem por estágios múltiplos de conglomerados, em 106 dos 2157 setores censitários de Porto Alegre. Em entrevistas domiciliares aplicou-se um questionário padronizado, para investigar características socioeconômicas, demográficas, hábitos de vida, fatores de risco para doença cardiovascular, além do índice de independência nas atividades de vida diária, desenvolvido por Katz, em1969, e a escala de independência nas atividades instrumentais da vida diária, criado por Lawton e Brody, em 1983, assim como o questionário de qualidade de vida Short Form-12 (Ware,1994). Utilizou-se o módulo Complex Samples, do SPSS, para as análises dos dados, a fim de ajustar para o efeito da amostragem. Testaram-se diferenças entre proporções utilizando-se o teste do quiquadrado de Pearson, ao analisarem-se as prevalências; análise de variância ou co-variância para compararem-se médias, e análise de regressão logística múltipla, para cálculo da odds ratio e intervalo de confiança de 95%. As análises foram para um nível de significância de 5%. Resultados: A média de idade foi semelhante entre homens e mulheres idosos, e a distribuição de idade e sexo foi similar à do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Além de maior escolaridade (8,8 vs. 6,6 anos), os homens referiram estar casados mais freqüentemente (75,7%) do que as mulheres (31,9%), as quais eram predominantemente viúvas ou separadas e residiam sozinhas em maior proporção. Com exceção de cor da pele e de residir sozinho, as demais características associaram-se significativamente com a idade. Identificou-se uma relação inversa entre idade e escolaridade e com o estar casado ou residir com companheiro, e uma associação direta com aposentadoria, separação ou viuvez e o uso de dispositivos para andar. Associação direta e independente de idade e sexo foi observada entre escolaridade e independência para realizar as atividades instrumentais, mas não para as atividades da vida diária. A prática de atividade física regular foi preditora de independência funcional nas AVDs e nas AIVDs. Esse estudo verificou tendência a maior independência entre os homens para o total de domínios das AVDs (94% vs. 89%; p=0,09), assim como das AIVDs (94% vs. 88%; p=0,04). Nos homens, observou-se a redução da independência funcional para realizar a maior parte das AVDs e AIVDs com o avançar da idade. Entre as mulheres, destaca-se, a redução da independência funcional com a idade em todas as atividades, exceto usar o telefone. O sexo masculino esteve associado, independentemente da idade, a maiores escores dos componentes físico e mental da qualidade de vida. A idade associou-se inversamente com o componente físico, enquanto a escolaridade o fez de maneira direta. Entretanto, nenhuma dessas características mostrou relação com o componente mental. Ser ativo fisicamente e possuir menor número de condições crônicas se associaram tanto ao escore do componente físico quanto mental, de maneira fortemente significativa. Conclusão: Os indivíduos idosos investigados no Estudo SOFT, representam a população idosa de Porto Alegre. As diferenças entre homens e mulheres idosos incluem características socioeconômicas, hábitos de vida e independência funcional. Os homens apresentam maior qualidade de vida do que as mulheres, independentemente da idade.