A baixa fidelidade como opacidade no som de cinema : o exemplo do novo ciclo de Pernambuco

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Porto, Igor Araújo
Orientador(a): Rossini, Miriam de Souza
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/189154
Resumo: Partindo de dois conceitos de R. Murray Schafer (2001), de paisagem sonora e baixa fidelidade, o trabalho propõe uma aproximação das ideias do autor com os campos dos estudos de som e da teoria do cinema. Para tal, traçamos a definição de paisagem sonora em Schafer, ressaltando o aspecto interdisciplinar do conceito. Depois pensamos como a noção de baixa fidelidade, afastada de seu uso no senso comum e qualificada pela discussão do termo em Sterne (2003) e Lastra (2000), pode ser aplicada no campo da comunicação e, mais especificamente, do cinema. A partir da revisão bibliográfica sugerimos efeitos de baixa fidelidade que podem ser encontrados no cinema contemporâneo, tais quais: o uso maior do fora de campo e dos ruídos, a ausência de perspectiva através do som e a subversão da hieraquia de pistas. E, por fim, tentamos entender como estes efeitos podem contribuir para uma opacidade do dispositivo, assim como pensada por Xavier (2012). No trabalho, esta revisão teórica é pontuada pelos exemplos estéticos observáveis em quatro filmes do chamado Novo Ciclo de Cinema Pernambucano que se utilizem das possibilidades conferidas por novas tecnologias de captação, edição e exibição de som para o cinema Será feita, então, uma análise em algumas cenas destes filmes cujo trabalho sonoro ajuda a exemplificar a aproximação que se quer fazer entre os conceitos de Schafer, os estudos de som e o campo do cinema. Os filmes analisados são: Avenida Brasília Formosa (2010, Gabriel Mascaro), O som ao redor (2013, Kleber Mendonça Filho), Ventos de Agosto (2014, Gabriel Mascaro) e Eles voltam (2014, Marcelo Lordello). Buscamos entender o lo-fi como esse estilo que desvia dos códigos de “som bom” no cinema e ressaltar a importância de olhar para estes filmes, no que eles possuem de particular em termos de trilha sonora e para as relações que estes estabelecem com a tradição estética local de Pernambuco.